Por onde anda Alex? Veja como está o ex-camisa 10
Durante muitos anos, quando a bola chegava aos pés de Alex, alguma coisa diferente poderia acontecer.
Passe preciso, visão de jogo, cobrança de falta, assistência ou um daqueles gols capazes de permanecer durante décadas na memória do torcedor.
O camisa 10 construiu uma trajetória que passou por Coritiba, Palmeiras, Cruzeiro e Fenerbahçe, além da Seleção Brasileira. Foi campeão da Libertadores, protagonista de uma histórica Tríplice Coroa no futebol brasileiro e tornou-se tão importante na Turquia que ganhou até uma estátua.
Mas os anos passaram e o maestro deixou os gramados.
A pergunta que muitos torcedores fazem hoje é:
Por onde anda Alex e o que o ex-camisa 10 faz atualmente?
A resposta continua ligada ao futebol.
Só que agora Alex tenta enxergar o jogo de outro lugar.
O começo de Alex no Coritiba
Alexsandro de Souza nasceu em Curitiba, em 14 de setembro de 1977.
Foi no Coritiba que começou a construir sua história no futebol profissional.
Ainda jovem, o meia já demonstrava algumas das características que seriam vistas durante toda a carreira: qualidade técnica, inteligência para encontrar espaços e uma capacidade especial para organizar o jogo.
Não demorou para despertar o interesse de um dos grandes clubes do futebol brasileiro.
Em 1997, Alex deixou o Coritiba para defender o Palmeiras.
Começava ali uma das fases mais importantes de sua carreira.

Alex se transforma em ídolo do Palmeiras
Alex chegou ao Palmeiras em 1997 e encontrou um elenco recheado de jogadores que marcariam época.
Sua técnica encaixou rapidamente naquele time.
Com a camisa alviverde, o meia passou a participar de partidas que entrariam para a história do clube, principalmente em confrontos decisivos.
Um dos episódios mais lembrados aconteceu contra o São Paulo, quando Alex aplicou dois chapéus — incluindo um sobre o goleiro Rogério Ceni — antes de marcar um dos gols mais famosos de sua carreira.
Mas sua passagem pelo Palmeiras ficou marcada principalmente pelas conquistas.
Em 1998, participou dos títulos da Copa do Brasil e da Copa Mercosul.
No ano seguinte veio a maior delas.
A Libertadores de 1999
Alex foi uma das principais peças do Palmeiras que conquistou a Copa Libertadores de 1999.
Naquela campanha, o camisa 10 participou de todos os 14 jogos do clube na competição e marcou quatro gols.
O Palmeiras enfrentou uma trajetória difícil até chegar ao título, incluindo confrontos históricos contra Corinthians e River Plate.
Alex esteve no centro daquela geração.
Segundo os números oficiais do Palmeiras, ele disputou 243 partidas e marcou 78 gols pelo clube.
Além da Libertadores, Copa do Brasil e Mercosul, também conquistou o Torneio Rio-São Paulo de 2000.
Era a confirmação de que o jovem revelado pelo Coritiba havia se transformado em um dos grandes camisas 10 do futebol brasileiro.
O Cruzeiro de 2003 e uma temporada histórica
Se Alex já havia construído uma grande história no Palmeiras, o que aconteceu no Cruzeiro em 2003 elevou ainda mais seu nome.
Sob o comando de Vanderlei Luxemburgo, o clube mineiro montou uma das equipes mais lembradas do futebol brasileiro daquele período.
E Alex era o cérebro daquele time.
O Cruzeiro conquistou no mesmo ano:
- Campeonato Mineiro;
- Copa do Brasil;
- Campeonato Brasileiro.
Era a chamada Tríplice Coroa.
Alex foi o grande organizador daquela equipe e terminou a temporada reconhecido com a Bola de Ouro como melhor jogador do Campeonato Brasileiro.
Aquela campanha consolidou uma característica que acompanharia o meia durante toda a carreira: ele não precisava ser apenas o jogador que fazia o último passe.
Também aparecia para decidir.
Da consagração no Brasil para a Turquia
Em 2004, Alex tomou uma decisão que mudaria sua carreira.
O destino foi o Fenerbahçe, da Turquia.
Talvez nem o próprio jogador imaginasse naquele momento o tamanho da história que construiria em Istambul.

Foram oito temporadas.
E Alex deixou de ser apenas um jogador estrangeiro importante.
Transformou-se em ídolo.
Alex vira lenda no Fenerbahçe
A identificação entre Alex e o Fenerbahçe foi enorme.
Logo em sua primeira temporada, ajudou o clube a conquistar o Campeonato Turco.
Os números daquela campanha dão uma dimensão do impacto: foram 24 gols em 31 partidas pelo campeonato.
Ao longo de oito temporadas, vieram três títulos da liga turca e uma Copa da Turquia.
Alex também foi duas vezes artilheiro do campeonato.
No total, marcou 136 gols em 245 partidas pela liga turca, segundo a UEFA.
Porém existe outro número que ajuda a entender sua importância.
Alex tornou-se um dos jogadores de maior destaque da história europeia do Fenerbahçe.
Na Liga dos Campeões, marcou nove gols e acumulou 40 partidas pelo clube na competição.
Também participou da melhor campanha do Fenerbahçe na Champions League: as quartas de final da temporada 2007/08.
Uma estátua para um brasileiro na Turquia
Poucos jogadores brasileiros tiveram uma relação tão forte com uma torcida estrangeira.
Em 2012, torcedores do Fenerbahçe financiaram uma estátua de Alex nas proximidades do estádio do clube.
Era uma demonstração pouco comum de reconhecimento.
O brasileiro havia se tornado capitão, referência técnica e um dos símbolos de uma geração do Fenerbahçe.
Sua saída naquele mesmo ano aconteceu após divergências com o treinador Aykut Kocaman.
Mas o encerramento da passagem não apagou o que havia sido construído.
Para muitos torcedores turcos, Alex continuou sendo simplesmente o capitão.
E a Seleção Brasileira?
A relação de Alex com a Seleção Brasileira rende um capítulo diferente.
Ele disputou 48 partidas pela equipe principal, segundo a UEFA.
Também conquistou duas vezes a Copa América, em 1999 e 2004.
Na segunda conquista, teve uma responsabilidade ainda maior: foi capitão da Seleção.
Mesmo assim, existe uma ausência que inevitavelmente aparece quando sua carreira é relembrada.
Alex nunca disputou uma Copa do Mundo pela Seleção principal.
Ficou fora da equipe campeã mundial em 2002, apesar de viver naquele período uma fase importante da carreira.
Essa ausência acabou se transformando em uma das grandes discussões quando torcedores relembram os principais camisas 10 brasileiros daquela geração.
A volta para casa
Depois de oito temporadas na Turquia, Alex retornou ao lugar onde tudo havia começado.
O Coritiba.
Era 2012.
Agora não chegava mais como promessa.
Voltava como um jogador consagrado, campeão, ex-capitão da Seleção e ídolo em diferentes países.
Em 2013, ainda conquistou o Campeonato Paranaense e terminou a competição como artilheiro, com 15 gols.
O encerramento definitivo da carreira aconteceu no final de 2014.
Alex tinha 37 anos.
Terminava ali a trajetória do jogador.
Mas não sua relação com o futebol.
O camisa 10 começa a pensar como treinador
Depois da aposentadoria, Alex passou por um período de preparação antes de iniciar efetivamente uma nova carreira.
O ex-meia decidiu seguir o caminho de treinador.

Era uma mudança interessante.
Durante décadas, ele havia sido justamente o jogador responsável por interpretar o que acontecia dentro do campo.
Agora teria que fazer isso do lado de fora.
Sua primeira grande experiência aconteceu nas categorias de base do São Paulo.
Alex assumiu o time sub-20 e permaneceu por 88 partidas.
Foram 51 vitórias, 18 empates e 19 derrotas, com aproveitamento de 64,77%.
Também chegou ao vice-campeonato brasileiro sub-20.
Era apenas o começo.
Do Avaí para uma nova experiência na Turquia
Em 2023, Alex recebeu a primeira oportunidade comandando uma equipe profissional.
Assumiu o Avaí.
Foram 18 partidas, com seis vitórias, quatro empates e oito derrotas.
O trabalho terminou antes que conseguisse se consolidar.
Depois surgiu uma oportunidade curiosa.
Alex voltaria para a Turquia.
Mas não para o Fenerbahçe.
Em 2024, assumiu o Antalyaspor.
O país onde havia alcançado o status de ídolo como jogador agora conheceria Alex como treinador.
A experiência teve 21 partidas: oito vitórias, quatro empates e nove derrotas.
Segundo o próprio Alex relatou posteriormente, o período também foi marcado por problemas administrativos e salários atrasados.
Em 2025, veio o retorno ao Brasil.
Operário-PR e a continuidade da carreira
Alex assumiu o Operário-PR durante a Série B de 2025.
Quando chegou, a equipe estava próxima da zona de rebaixamento.
O treinador conseguiu conduzir o clube até a 12ª colocação ao final da competição.
Foram 30 jogos sob seu comando, com oito vitórias, 11 empates e 11 derrotas.
A carreira como treinador ainda estava em construção.
E o próximo trabalho traria uma marca importante.
Afinal, por onde anda Alex atualmente?
Em 2026, Alex assumiu o comando do Athletic, de Minas Gerais.
E é justamente ali que o ex-camisa 10 vive atualmente um dos momentos mais interessantes de sua ainda jovem trajetória como treinador profissional.
Em setembro de 2026, Alex alcançou 31 partidas no comando do Athletic.
Com isso, o clube mineiro tornou-se a equipe profissional que ele comandou por mais jogos desde que iniciou a carreira de técnico.
Até 8 de setembro, eram:
31 jogos, 11 vitórias, 11 empates e nove derrotas.
O aproveitamento era de 47,31% dos pontos disputados.
O Athletic havia marcado 40 gols e sofrido 34.
Os números representam o melhor aproveitamento de Alex entre seus trabalhos à frente de equipes profissionais até aquele momento.
Uma goleada para marcar o novo momento
A marca veio acompanhada de uma atuação expressiva.
Pela Série B do Campeonato Brasileiro, o Athletic derrotou o Vila Nova por 5 a 0.
Foi depois dessa partida que Alex ultrapassou a quantidade de jogos que havia acumulado no Operário-PR e estabeleceu sua maior sequência no comando de um clube profissional.
Ainda existe uma diferença importante quando os números são comparados com seu primeiro trabalho.
No São Paulo sub-20, Alex teve aproveitamento superior a 64%.
Mas categorias de base e futebol profissional representam realidades bastante diferentes.
Entre os profissionais, o Athletic passou a representar sua experiência mais longa e, até aquele momento, de melhor aproveitamento.
De maestro a treinador
Existe algo curioso na nova carreira de Alex.
Como jogador, ele era conhecido justamente por enxergar aquilo que muitos não enxergavam.
Um espaço.
Uma movimentação.
Um passe improvável.
Uma oportunidade de gol.
Era o camisa 10 clássico, responsável por interpretar o jogo enquanto ele acontecia.
Como treinador, a responsabilidade mudou.
Agora precisa transmitir suas ideias para todo um elenco.
Precisa preparar estratégias, administrar jogadores, lidar com resultados e tomar decisões sem poder entrar em campo para resolver a partida com os próprios pés.
Talvez seja essa a maior transformação de sua trajetória.
Alex ainda está construindo sua segunda carreira
Comparar o Alex jogador com o Alex treinador seria injusto.
Como atleta, sua história já está escrita.
Libertadores pelo Palmeiras.
Tríplice Coroa pelo Cruzeiro.
Títulos e idolatria no Fenerbahçe.
Duas Copas América pela Seleção Brasileira.
Estátua na Turquia.
Centenas de gols e assistências.
Como treinador, a história ainda está sendo construída.
A passagem pelo Athletic em 2026 representa justamente mais um capítulo desse processo.
Não existe garantia de que Alex alcançará à beira do campo o mesmo tamanho que conquistou vestindo a camisa 10.
Mas existe algo familiar nessa nova trajetória.
Ele continua tentando compreender o jogo.
O camisa 10 apenas mudou de lugar
Para quem acompanhou o futebol brasileiro no final dos anos 1990 e durante os anos 2000, é difícil esquecer Alex.
O toque refinado na bola.
As cobranças de falta.
Os passes.
Os gols.
A camisa 10.
Hoje, aos 48 anos, ele continua vivendo o futebol diariamente.
A diferença é que agora acompanha boa parte da partida de pé, próximo ao banco de reservas.
O jogador que durante anos recebeu a bola para decidir passou a ser aquele que precisa preparar os outros para tomar as decisões.
Por onde anda Alex?
Em setembro de 2026, o eterno camisa 10 é treinador do Athletic-MG e vive seu trabalho mais longo e de melhor aproveitamento até agora no futebol profissional.
O maestro deixou os gramados.
Mas ainda está tentando reger o jogo.
Fontes consultadas
- ge — Alex alcança maior sequência de jogos e melhor aproveitamento como treinador no Athletic
- ge — Entrevista especial com Alex sobre carreira, Seleção Brasileira e trajetória como treinador
- UEFA — Trajetória de Alex no Fenerbahçe, números, títulos e encerramento da carreira
- Palmeiras — Perfil e história de Alex com a camisa do clube







