Cruzeiro de 2003: o time da histórica Tríplice Coroa

Há times campeões que entram para a história pelos troféus. Outros ficam marcados pela maneira como jogavam. O Cruzeiro de 2003 conseguiu reunir as duas coisas.

Com Vanderlei Luxemburgo no comando e Alex vivendo uma temporada extraordinária, a equipe conquistou no mesmo ano o Campeonato Mineiro, a Copa do Brasil e o Campeonato Brasileiro.

Nascia a histórica Tríplice Coroa de 2003.

Mais de duas décadas depois, aquela equipe continua sendo lembrada. E os relatos dos próprios jogadores ajudam a entender por que aquele Cruzeiro conseguiu construir uma das temporadas mais marcantes de sua história.

O início de um ano que entraria para a história

Os primeiros sinais apareceram rapidamente.

No Campeonato Mineiro, contudo, o Cruzeiro conquistou o título de maneira invicta, com dez vitórias e dois empates. Foram 35 gols marcados e apenas sete sofridos.

A taça foi garantida com três rodadas de antecedência, após uma vitória por 4 a 0 sobre a URT, em Patos de Minas. Maurinho, Alex, Deivid e Aristizábal marcaram os gols daquela partida.

Era apenas março.

O que ninguém poderia saber naquele momento era que aquele seria somente o primeiro capítulo de uma temporada inesquecível.

Um elenco construído para atacar

O Cruzeiro tinha jogadores de características bastante diferentes.

Gomes aparecia no gol. Maurinho e Leandro ofereciam presença pelos lados. Na defesa, nomes como Cris, Edu Dracena e Luisão faziam parte das opções do elenco.

No meio-campo estava uma das explicações para o funcionamento daquela equipe.

Maldonado, Augusto Recife e Wendel ajudavam na sustentação, enquanto Alex tinha liberdade para organizar o futebol ofensivo. Na frente, jogadores como Deivid e Aristizábal completavam um time capaz de atacar de diferentes maneiras.

Cruzeiro de 2003

Mas havia um jogador que se destacava acima dos demais.

Alex: o maestro do Cruzeiro de 2003

Se existe um rosto capaz de representar aquela temporada, é o de Alex.

Alex foi o grande maestro daquela equipe e viveu em 2003 uma das temporadas mais marcantes de sua carreira. Anos depois dos grandes momentos dentro de campo, o ex-camisa 10 iniciou uma nova fase no futebol.

O camisa 10 terminou 2003 com impressionantes 39 gols e 39 assistências, números que ajudam a dimensionar sua influência sobre a equipe.

Alex organizava, criava e também decidia.

Sua importância, porém, ia além das estatísticas.

Augusto Recife contou anos depois que o camisa 10, apesar de ser a principal estrela daquele grupo, era um jogador simples no convívio com os companheiros. O volante também relembrou como era impressionante observar Alex treinando cobranças de falta.

Dentro de campo, todo aquele talento encontraria um dos grandes palcos da temporada na Copa do Brasil.

A Copa do Brasil e uma final inesquecível contra o Flamengo

Cruzeiro e Flamengo decidiram a Copa do Brasil de 2003.

No primeiro confronto, no Maracanã, Alex protagonizou um dos lances mais lembrados daquele ano.

Depois de cruzamento de Maurinho, o camisa 10 marcou de letra. O Flamengo conseguiu empatar nos acréscimos e a partida terminou 1 a 1.

A decisão ficou para o Mineirão.

E o Cruzeiro não desperdiçou a oportunidade.

Na partida de volta, venceu por 3 a 1 e levantou a Copa do Brasil. Alex voltou a ser decisivo, desta vez participando diretamente da construção dos gols da equipe.

Cruzeiro de 2003

Era o segundo grande título daquele Cruzeiro em poucos meses.

E havia um detalhe impressionante: assim como no Campeonato Mineiro, a campanha da Copa do Brasil também terminou sem derrotas.

Restava o maior desafio do calendário nacional.

O primeiro Brasileirão por pontos corridos

O Campeonato Brasileiro de 2003 inaugurou uma nova era.

Pela primeira vez, o principal campeonato nacional seria decidido pelo sistema de pontos corridos.

O Cruzeiro não apenas venceu aquela edição como construiu uma campanha que ficaria marcada.

O título foi confirmado diante do Paysandu, no Mineirão, em 30 de novembro de 2003, com vitória cruzeirense por 2 a 1.

Ao término das 46 rodadas, o Cruzeiro chegou à histórica marca de 100 pontos.

Mineiro.

Copa do Brasil.

Campeonato Brasileiro.

A Tríplice Coroa estava completa.

Cruzeiro de 2003

Por que aquele Cruzeiro funcionava tão bem?

É tentador explicar tudo simplesmente pelo talento de Alex.

Mas seria injusto com o restante da equipe.

O Cruzeiro no entanto, possuía jogadores capazes de dar sustentação para que os atletas mais criativos tivessem liberdade.

Augusto Recife definiu bem sua própria função naquele time. O volante era uma espécie de “cão de guarda”, responsável por ajudar na proteção enquanto os jogadores ofensivos podiam avançar.

O equilíbrio também favorecia as participações ofensivas dos laterais e aproximava Alex dos atacantes.

Em outras palavras portanto, havia uma estrutura por trás do espetáculo.

Luxemburgo e a construção de um time vencedor

Vanderlei Luxemburgo também foi peça fundamental.

O trabalho não começou simplesmente em janeiro de 2003.

O treinador contou posteriormente que, depois da temporada anterior, já havia começado a pensar na manutenção de uma base para construir uma equipe mais forte no ano seguinte.

O resultado apareceu rapidamente.

Luxemburgo portanto, conseguiu montar uma equipe ofensiva sem abrir mão do equilíbrio e além do mais, encontrou uma maneira de potencializar Alex.

E existe um reconhecimento particularmente importante vindo do próprio camisa 10: Alex, porém, já apontou aquele Cruzeiro como um dos trabalhos mais marcantes de Luxemburgo.

Os bastidores de um grupo diferente

Os relatos dos jogadores mostram também que havia algo além da parte tática.

Augusto Recife contou que os atletas gostavam de chegar cedo à Toca da Raposa simplesmente para permanecer juntos. Segundo ele, havia prazer em treinar e conviver com aquele grupo.

Uma história envolvendo a final da Copa do Brasil mostra bem esse ambiente.

Com apenas 18 anos, Gladstone foi chamado para uma situação enorme: a decisão contra o Flamengo. Antes de utilizá-lo, Luxemburgo conversou com jogadores experientes e líderes do elenco.

O jovem recebeu o respaldo do grupo e acabou participando daquele momento histórico.

Esse tipo de episódio ajuda a explicar em particular, algo impossível de enxergar simplesmente observando uma tabela de resultados.

O Cruzeiro tinha grandes jogadores.

Mas também tinha um grupo.

O time-base da Tríplice Coroa

Contudo, ao longo de uma temporada extensa, Luxemburgo naturalmente utilizou diferentes formações.

Por isso, em vez de tratar uma única escalação como “os onze da Tríplice Coroa”, é mais correto lembrar a espinha dorsal daquele elenco.

Entre os personagens estavam:

Gomes; Maurinho, Cris, Edu Dracena, Luisão, Leandro; Maldonado, Augusto Recife, Wendel, Alex; Deivid e Aristizábal, entre outros jogadores utilizados durante o ano.

Algumas mudanças aconteceram durante a própria temporada. Luisão, por exemplo, deixou o Cruzeiro rumo ao Benfica ainda em 2003.

Isso torna a conquista ainda mais interessante: a Tríplice Coroa não foi obra de apenas onze jogadores.

Foi uma conquista de elenco.

Uma temporada cheia de partidas memoráveis

Os três títulos naturalmente são os pontos mais importantes, no entanto, aquela equipe produziu outros momentos que ficaram na memória.

Um deles foi a impressionante goleada por 7 a 0 sobre o Bahia, na Fonte Nova, pelo Campeonato Brasileiro. Anos depois, jogadores daquele elenco ainda relembrariam histórias daquela partida.

Outro momento emblemático aconteceu contra o Fluminense.

Alex marcou um dos gols mais lembrados de sua passagem pelo clube, encobrindo o goleiro adversário em uma demonstração do futebol que apresentava naquela temporada.

São jogos que ajudam a explicar por que o Cruzeiro de 2003 não ficou conhecido apenas por vencer.

Era um time que também proporcionava espetáculo.

Onde estão alguns dos personagens daquele Cruzeiro?

O tempo passou e os protagonistas seguiram caminhos diferentes.

Alex encerrou a carreira de jogador e tornou-se treinador. Em 2026, está trabalhando no futebol brasileiro e continua sendo lembrado constantemente por sua temporada histórica no Cruzeiro.

Gomes posteriormente construiu uma carreira importante, inclusive no futebol europeu.

Cris também viveu anos de destaque na Europa, principalmente na França, antes de seguir trabalhando no futebol.

Edu Dracena acumulou novos títulos depois de deixar o Cruzeiro e posteriormente passou a exercer funções fora das quatro linhas.

Deivid também seguiu ligado ao futebol após encerrar a carreira.

E Vanderlei Luxemburgo continuou sua extensa trajetória como treinador depois daquele trabalho histórico.

Cada um seguiu seu caminho.

Mas quando seus nomes voltam a aparecer juntos, existe uma ligação inevitável:

Cruzeiro, 2003.

Por que aquele time continua sendo lembrado?

Mais de duas décadas depois, o futebol mudou.

Mudaram os jogadores, os treinadores, as competições e até a maneira de consumir futebol.

O Cruzeiro de 2003, porém, permanece como referência.

O desempenho daquela geração também colocou o Cruzeiro de 2003 entre os grandes times brasileiros do século XXI.

E os números explicam parte disso: três títulos na mesma temporada, Mineiro e Copa do Brasil invictos e 100 pontos no Campeonato Brasileiro.

Mas existe outra parte que os números não conseguem explicar.

O time tinha identidade.

Tinha um grande protagonista.

Tinha equilíbrio.

E tinha jogadores que, anos depois, ainda falavam daquele ambiente com carinho.

O legado da Tríplice Coroa

Para quem acompanhou aquela temporada, nomes como Alex, Gomes, Cris, Maldonado, Augusto Recife, Deivid e Aristizábal despertam lembranças imediatas.

Para quem não viu aquele time jogar, os resultados ajudam a dimensionar o tamanho da conquista.

O Campeonato Mineiro foi apenas o começo.

A Copa do Brasil confirmou a força daquela equipe.

E o primeiro Brasileirão dos pontos corridos transformou uma temporada extraordinária em história.

Por isso, quando se fala no Cruzeiro de 2003, não estamos falando simplesmente de três troféus.

Estamos falando de um time que encontrou equilíbrio entre talento e organização, além disso, teve Alex em uma temporada extraordinária e construiu uma campanha que atravessou gerações.

A Tríplice Coroa transformou 2003 em um ano que o futebol brasileiro não esqueceu.

Fontes consultadas