Luciano Juba: a canhota que constrói e decide no Bahia

Luciano Juba vai além do apoio ao ataque. No Bahia, o lateral participa da construção por dentro e transforma oportunidades em gols. O Brasileirão de 2026 evidencia essa combinação, mas a explicação começa antes da chegada a Salvador.

Além disso, a trajetória entre a lateral e o ataque ajuda a entender um jogador que carrega diferentes soluções na mesma canhota. Juba ganhou espaço perto do gol e encontrou, no Bahia, uma função que aproveita esse repertório em outras regiões do campo.

Antes de Salvador, outro Bahia

Pernambucano, Juba cresceu no Curado I, em Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana do Recife. Foi no futebol amador do bairro que sua relação com a bola ganhou forma. Entre as equipes que defendeu estava o Bahia Curado, cujo nome e uniforme anteciparam, por coincidência, as cores que vestiria profissionalmente.

Essa ligação permaneceu mesmo quando já buscava espaço na base do Sport. Mais tarde, em 2019, quando já buscava espaço na base do Sport, participou da conquista da Liga União de Futebol Amador de Pernambuco pelo Bahia Curado, com direito a um gol na decisão.

Entretanto, a caminhada não aconteceu apenas entre treinos e partidas. Durante a adolescência, Juba ajudou o avô na carga e descarga de caminhões enquanto tentava encontrar uma oportunidade no futebol. A formação esportiva convivia com as necessidades da família.

Em 2017, ingressou na base do Serra Talhada e, posteriormente, seguiu para o Sport. O caminho até a consolidação profissional ainda teria mudanças de posição e uma passagem por empréstimo.

No Sport, o ataque abriu um novo caminho

Juba estreou profissionalmente pelo Sport em 2020, atuando como lateral-esquerdo. No ano seguinte, passou pelo Confiança por empréstimo antes de retornar ao clube pernambucano.

A mudança importante aconteceu quando começou a jogar mais adiantado. Sob o comando de Gustavo Florentín, passou a atuar aberto pela esquerda, aproximando sua qualidade técnica das situações de definição.

A partir daí, o crescimento ofensivo trouxe projeção, especialmente em 2023. Naquele ano, conquistou o Campeonato Pernambucano pelo Sport e, em setembro, chegou ao Bahia.

Essa passagem pelo ataque oferece uma chave para interpretar seu jogo atual. Juba conhece situações em que precisa receber perto da área, procurar o passe decisivo ou preparar a finalização. Ao voltar à lateral, levou consigo esse repertório.

Ilustração de Luciano Juba comemorando com os uniformes do Sport e do Bahia, representando duas fases de sua carreira.
Do destaque ofensivo no Sport à participação na construção do jogo pelo Bahia: as diferentes funções de Luciano Juba.

Um lateral que também passa pelo meio

No Bahia de Rogério Ceni, Juba ganhou importância em uma função que permite participar pelo corredor esquerdo e também por dentro. Em determinadas situações, aproxima-se do primeiro volante e ajuda a construir as jogadas pelo centro.

“Essa participação por dentro também ajuda a entender a importância dos meio-campistas na circulação da bola. Nesse contexto, vale conhecer a análise de Nicolás Acevedo no Bahia, que destaca a contribuição do uruguaio quando a equipe tem a posse.”

Isso muda a maneira de avaliar sua atuação. Dessa forma, sua contribuição começa antes do cruzamento: aparece na oferta de uma opção de passe e na capacidade de dar continuidade à posse em outra região do campo.

A leitura que seu papel sugere é a de um jogador capaz de conectar setores. Ao se aproximar do meio, ele oferece uma alternativa para a circulação da bola. Quando encontra espaço mais à frente, a experiência ofensiva amplia suas possibilidades.

Por isso, definir Juba apenas como um lateral que apoia bem deixa parte da análise de fora. Seu diferencial está na combinação entre participação na construção, qualidade de passe e ameaça ao gol.

A canhota que transforma espaço em oportunidade

Cruzamentos e finalizações de média distância estão entre os recursos que chamam atenção em seu futebol. Juba pode servir um companheiro pelo lado e também aproveitar uma sobra ou um espaço na entrada da área.

O golaço diante do São Paulo, no Brasileirão de 2026, ajuda a ilustrar essa segunda possibilidade. Depois da partida, Ceni destacou sua versatilidade para jogar pelo lado, por dentro e participar da construção.

Na avaliação do Jogo News Brasil, essa variedade é o aspecto mais interessante de seu jogo. O adversário precisa considerar tanto a continuidade da jogada quanto a possibilidade de finalização.

Além disso, sua chegada a uma zona ofensiva pode acontecer a partir de uma posição mais recuada. Esse movimento exige coordenação coletiva, mas também oferece ao Bahia uma maneira de acrescentar um jogador à definição das jogadas.

Ilustração de Luciano Juba com o uniforme tricolor do Bahia, preparando um passe com o pé esquerdo em campo.
Luciano Juba combina qualidade no passe e presença ofensiva pelo lado esquerdo do Bahia.

O que os números do Brasileirão de 2026 mostram

No recorte de partidas até 20 de setembro de 2026, o ogol registra 24 jogos, 1.966 minutos, nove gols e uma assistência de Luciano Juba no Campeonato Brasileiro.

São dez participações diretas em gols, aproximadamente uma a cada 197 minutos. Para um jogador utilizado na lateral, o volume evidencia uma contribuição relevante para o placar.

Em levantamento publicado pelo ge em 17 de setembro, Juba havia alcançado dez gols na temporada, sendo nove no Brasileiro, e assumido a artilharia do Bahia no ano.

É necessário, porém, interpretar essa produção. Os pênaltis também fazem parte da conta, como nas vitórias sobre Bragantino e Remo, em setembro. Converter cobranças representa uma contribuição importante, mas a origem dos gols ajuda a explicar o desempenho com mais precisão.

Assim, os números sustentam seu protagonismo ofensivo. Já uma comparação completa entre laterais exige avaliar outros aspectos, como marcação, duelos e recomposição.

O equilíbrio também faz parte da análise

Quanto mais um lateral participa por dentro e chega ao ataque, mais importante se torna a organização da equipe após a perda da bola. Esse é um ponto necessário para avaliar o papel de Juba.

Ainda assim, sua liberdade ofensiva precisa funcionar junto à cobertura dos companheiros e às responsabilidades de retorno. A qualidade com a bola amplia as possibilidades do Bahia, enquanto o equilíbrio coletivo permite explorar essas possibilidades.

Portanto, a artilharia não basta para classificá-lo como o melhor lateral do campeonato. Ela demonstra uma parte expressiva de sua contribuição, que precisa ser observada junto ao restante do jogo.

A trajetória explica o futebol de Luciano Juba

Luciano Juba encontrou no Bahia uma função que reúne experiências acumuladas ao longo da carreira. O jogador que passou pela lateral, ganhou projeção no ataque e voltou a atuar mais atrás preservou recursos para construir e finalizar.

Sua primeira convocação para a Seleção Brasileira, em novembro de 2025, já havia reconhecido essa evolução. Na ocasião, Carlo Ancelotti ressaltou seu perfil técnico e a capacidade de jogar por dentro.

Em 2026, os gols reforçam sua importância. Ainda assim, o interesse da análise está na maneira como ele chega às situações ofensivas e participa antes delas.

A canhota chama atenção quando a bola entra. O papel de Juba no Bahia começa várias jogadas antes.

Dados do Brasileirão referentes ao recorte disponível até 20 de setembro de 2026. Análise elaborada em 8 de outubro de 2026.

Fontes consultadas