Grêmio de 1995: o time que conquistou a América

O Grêmio entrou na Copa Libertadores de 1995 buscando recuperar um lugar que já conhecia. Doze anos depois de conquistar a América pela primeira vez, o clube gaúcho iniciava uma campanha que terminaria com uma das equipes mais lembradas de sua história.

Com Luiz Felipe Scolari, o Felipão, no comando, o time reuniu jogadores como Danrlei, Arce, Adílson, Rivarola, Dinho, Goiano, Arílson, Carlos Miguel, Paulo Nunes e Jardel.

Não era uma equipe construída apenas em torno de um grande nome. O Grêmio tinha intensidade, força coletiva e características que se encaixavam: Arce aparecia pelo lado direito, Dinho dava força ao meio-campo, Paulo Nunes se movimentava no ataque e Jardel transformava cruzamentos e oportunidades dentro da área em gols.

A Libertadores de 1995 acabaria consagrando aquele grupo e colocando definitivamente vários desses jogadores na história tricolor.

Uma campanha que começou longe de ser tranquila

O Grêmio dividiu a primeira fase com Palmeiras, Emelec e El Nacional.

A estreia já mostrou que o caminho seria complicado. Contra o Palmeiras, fora de casa, o Tricolor foi derrotado por 3 a 2.

Depois vieram resultados importantes, incluindo empate por 2 a 2 diante do Emelec, vitória por 2 a 1 sobre o El Nacional e, já no Olímpico, uma goleada por 4 a 1 sobre o Emelec.

O Grêmio encerrou a primeira fase com três vitórias, dois empates e uma derrota e avançou para o mata-mata.

A partir dali, a Libertadores começaria a revelar uma equipe cada vez mais preparada para jogos decisivos.

Grêmio de 1995

O Olímpia e a força do Grêmio fora de casa

Nas oitavas de final, o adversário foi o tradicional Olímpia.

E o Grêmio praticamente encaminhou a classificação logo no Paraguai.

No Defensores del Chaco, venceu por 3 a 0, com gols de Dinho, Jardel e Paulo Nunes. No Olímpico, confirmou a classificação com outra vitória, desta vez por 2 a 0.

O placar agregado de 5 a 0 mostrava que aquela equipe tinha condições de ir muito mais longe.

Mas nas quartas de final apareceria um adversário que transformaria a campanha de 1995 em uma história inesquecível.

Grêmio 5 x 0 Palmeiras: a noite que marcou a Libertadores

O Palmeiras daquela época possuía um elenco repleto de jogadores conhecidos do futebol brasileiro. Cafu, Roberto Carlos, Rivaldo e Müller estavam entre os nomes daquela equipe.

Do outro lado estava o Grêmio de Felipão.

No dia 26 de julho de 1995, os dois times entraram no gramado do Olímpico para a primeira partida das quartas de final.

E aconteceu uma goleada histórica.

Arce abriu o placar. Arílson fez o segundo.

Então começou o show de Jardel.

O centroavante marcou três vezes no segundo tempo e transformou o resultado em impressionantes 5 a 0. O confronto também ficou marcado pelas expulsões durante uma partida bastante tensa.

Parecia que a classificação estava praticamente garantida.

Parecia.

O 5 a 1 que quase mudou tudo

Uma semana depois, no jogo de volta, aconteceu algo que poucos poderiam imaginar.

Desta vez foi o Palmeiras quem começou a marcar.

O time paulista construiu uma vantagem enorme e venceu por 5 a 1.

Mas o único gol gremista daquela noite seria decisivo.

Jardel marcou.

Como o Grêmio havia vencido o primeiro confronto por 5 a 0, aquele gol ajudou a preservar a vantagem no placar agregado e garantiu a classificação para a semifinal. Os dois jogos terminaram com um impressionante 6 a 5 para o Grêmio no agregado.

A goleada sofrida serviu como um alerta.

O sonho da Libertadores continuava vivo.

Grêmio de 1995

Emelec era o último obstáculo antes da final

Na semifinal, o Grêmio voltou a encontrar o Emelec.

A primeira partida, disputada no Equador, terminou 0 a 0.

Tudo ficou para o Olímpico.

Em Porto Alegre, Paulo Nunes abriu o caminho e Jardel voltou a deixar sua marca. Vitória por 2 a 0 e classificação para a grande decisão.

Do outro lado estava o Atlético Nacional, da Colômbia.

O Grêmio estava a dois jogos de conquistar novamente a América.

Jardel: o homem-gol daquela Libertadores

A campanha também transformou Jardel em um dos grandes personagens daquela edição.

O centroavante terminou a Libertadores de 1995 com 12 gols, sendo o artilheiro da competição.

Três deles aconteceram justamente no histórico 5 a 0 sobre o Palmeiras.

Mas Jardel ainda teria participação fundamental na decisão.

Aquele desempenho também foi determinante para projetar o atacante internacionalmente. Depois do período no Grêmio, ele construiria uma trajetória extraordinária como goleador na Europa.

A primeira final: vantagem construída no Olímpico

A primeira partida da decisão aconteceu em 23 de agosto de 1995, no Estádio Olímpico.

O Grêmio pressionou e construiu uma importante vantagem.

O primeiro gol surgiu após um cruzamento de Paulo Nunes que terminou em gol contra de Marulanda.

Pouco depois, Carlos Miguel finalizou, o goleiro René Higuita deu rebote e Jardel apareceu dentro da área para marcar o segundo.

No segundo tempo, Paulo Nunes fez o terceiro.

O Atlético Nacional ainda descontou com Ángel, deixando o placar em 3 a 1 para o Grêmio.

A vantagem era importante.

Mas ainda faltava enfrentar o Atlético Nacional em Medellín.

Medellín: 90 minutos separavam o Grêmio da América

Em 30 de agosto de 1995, o Estádio Atanasio Girardot recebeu a partida decisiva.

Segundo o registro oficial do Grêmio, cerca de 50 mil torcedores acompanharam o confronto.

Aos 12 minutos, Aristizábal abriu o placar para o Atlético Nacional.

A pressão colombiana aumentou.

Mesmo assim, o Grêmio resistiu e administrou a vantagem construída em Porto Alegre.

Até que, já perto do final, surgiu a oportunidade de acabar com qualquer dúvida.

Alexandre foi derrubado dentro da área.

Pênalti.

Dinho assumiu a responsabilidade e marcou o gol do empate.

Atlético Nacional 1 x 1 Grêmio.

Não havia mais tempo para uma reação que mudasse a história.

O Grêmio era novamente campeão da Libertadores.

Grêmio de 1995

O time que entrou para a história

O título não pertenceu apenas aos jogadores que marcaram os gols da final.

Danrlei se consolidava no gol. Arce oferecia qualidade pelo lado direito. Adílson era o capitão. Rivarola dava força à defesa.

No meio, jogadores como Dinho, Goiano, Arílson e Carlos Miguel ajudavam a sustentar a intensidade proposta por Felipão.

Na frente, Paulo Nunes e Jardel formavam uma dupla extremamente perigosa.

Havia também outros jogadores que participaram daquela caminhada e ajudaram a construir o título ao longo da competição.

Felipão conseguiu transformar características diferentes em uma equipe difícil de enfrentar — especialmente nos confrontos eliminatórios.

Felipão e a identidade daquele Grêmio de 1995

A Libertadores de 1995 também foi fundamental na trajetória de Luiz Felipe Scolari.

Seu Grêmio ficou associado a um futebol competitivo, intenso e preparado para enfrentar diferentes situações durante uma partida.

Contra o Palmeiras, por exemplo, análises posteriores daquele histórico 5 a 0 destacaram como Felipão reorganizou sua equipe para explorar os espaços e potencializar justamente uma das principais armas do time: os cruzamentos para Jardel.

Mas a campanha mostrou que o time precisava saber sofrer também.

O mesmo Grêmio capaz de fazer cinco gols no Palmeiras teve que sobreviver ao 5 a 1 no jogo seguinte e resistir à pressão do Atlético Nacional em Medellín.

Essa combinação ajudou a construir a identidade daquela equipe.

O bicampeonato que marcou uma geração

O Grêmio já havia conquistado a Libertadores em 1983.

Em 1995, doze anos depois, voltou ao topo da América e conquistou seu segundo título continental.

A campanha teve goleadas, momentos de tensão, um artilheiro com 12 gols e uma final decidida longe de Porto Alegre.

Teve também personagens que permaneceriam ligados à história do clube: Danrlei, Arce, Adílson, Dinho, Paulo Nunes, Jardel e, naturalmente, Felipão.

Entre todos os jogos, talvez nenhum represente melhor aquela Libertadores do que os dois confrontos contra o Palmeiras.

Primeiro, um 5 a 0 que parecia resolver tudo.

Depois, um 5 a 1 que colocou a classificação em risco.

O Grêmio sobreviveu aos dois extremos.

Poucas semanas depois, estava em Medellín levantando a taça.

Era o Grêmio de 1995. Era o Grêmio bicampeão da América.

Fontes consultadas