Os 10 maiores estrangeiros da história do futebol brasileiro
De Elías Figueroa a Arrascaeta e Gustavo Gómez, conheça os craques estrangeiros que conquistaram títulos, marcaram gerações e se tornaram ídolos no Brasil.
O futebol brasileiro sempre foi reconhecido pela capacidade de revelar grandes jogadores. De Pelé a Ronaldo, de Zico a Ronaldinho Gaúcho, nosso país construiu uma história repleta de talentos que encantaram o mundo.
Entretanto, existe outro capítulo dessa trajetória que merece receber a mesma atenção: a contribuição dos jogadores estrangeiros.
Ao longo das décadas, atletas de diferentes nacionalidades desembarcaram no Brasil e encontraram muito mais do que uma oportunidade profissional. Alguns conquistaram títulos históricos, outros transformaram a maneira de jogar de suas equipes e muitos construíram uma relação tão profunda com os torcedores que passaram a ser considerados verdadeiros ídolos.
Mas afinal, quem foram os maiores estrangeiros do futebol brasileiro? Quais jogadores realmente merecem ocupar as primeiras posições de um ranking que atravessa diferentes gerações?
A resposta não é simples. Afinal, como comparar a elegância defensiva de Elías Figueroa, o talento de Pedro Rocha, a criatividade de Arrascaeta e a liderança de Gustavo Gómez?
Cada um construiu sua história em uma época diferente, enfrentando adversários, competições e desafios particulares.
Por isso, nós decidimos olhar além das estatísticas. Para elaborar este ranking, consideramos cinco critérios fundamentais: qualidade técnica, protagonismo, regularidade, conquistas e legado histórico.
Também estabelecemos uma condição importante: o desempenho apresentado dentro do futebol brasileiro teria mais peso do que a fama conquistada anteriormente no exterior.
Naturalmente, qualquer classificação desse tipo envolve escolhas discutíveis. Entretanto, acreditamos que essa é justamente uma das características mais interessantes do futebol: diferentes gerações podem defender seus ídolos com argumentos igualmente relevantes.
Confira nossa seleção.
10º — Darío Conca: o argentino que comandou o Fluminense
ARGENTINA · FLUMINENSE
Darío Conca talvez seja um dos exemplos mais interessantes de como a inteligência pode superar a força física e a velocidade dentro de campo.
O argentino chegou ao futebol brasileiro pelo Vasco, mas foi no Fluminense que encontrou o ambiente ideal para desenvolver seu talento.
Com excelente domínio de bola, passes precisos e uma visão de jogo diferenciada, Conca rapidamente se tornou uma das principais referências técnicas da equipe carioca.
Entretanto, sua importância não estava apenas na capacidade de criar oportunidades.
O meia sabia controlar o ritmo das partidas. Quando o Fluminense precisava manter a posse, oferecia segurança na circulação da bola. Por outro lado, quando surgia a possibilidade de acelerar uma jogada, encontrava passes capazes de desmontar a organização adversária.
Seu auge aconteceu em 2010, quando foi protagonista da conquista do Campeonato Brasileiro.
Naquela campanha, disputou todas as 38 partidas da competição, demonstrando uma regularidade impressionante para um jogador responsável por grande parte da criação ofensiva.
Além disso, recebeu importantes reconhecimentos individuais, consolidando-se como um dos melhores jogadores daquele campeonato.
Para nós, Conca merece integrar esta lista porque conseguiu transformar qualidade técnica em influência coletiva.
Sua trajetória demonstra que nem sempre o jogador mais importante é aquele que aparece nas finalizações. Muitas vezes, é quem permite que os companheiros encontrem melhores condições para decidir.
9º — Germán Cano: o artilheiro que encontrou seu lugar no Brasil
ARGENTINA · VASCO E FLUMINENSE
Germán Cano chegou ao futebol brasileiro sem o prestígio internacional de outros atacantes que passaram pelo país.
Entretanto, rapidamente mostrou que sua principal qualidade não dependia de reconhecimento prévio: o argentino sabia fazer gols.
Sua passagem pelo Vasco foi importante para construir uma relação de identificação com o futebol nacional. Mesmo enfrentando momentos difíceis coletivamente, Cano demonstrou capacidade de finalização e regularidade.
Posteriormente, sua transferência para o Fluminense representou uma transformação ainda maior em sua carreira.
No clube tricolor, encontrou um sistema de jogo que valorizava sua movimentação e sua inteligência para ocupar espaços dentro da área.
Em 2022, marcou 44 gols na temporada. No ano seguinte, voltou a apresentar números expressivos e se tornou um dos protagonistas da conquista inédita da Libertadores pelo Fluminense.
Na competição continental de 2023, terminou como artilheiro, com 13 gols, incluindo um na decisão contra o Boca Juniors.
Mas existe algo que consideramos especialmente importante em seu futebol.
Cano não depende exclusivamente de velocidade ou força física. Seu diferencial está na leitura das jogadas, na antecipação dos movimentos e na capacidade de finalizar rapidamente.
Além disso, demonstrou uma eficiência que poucos atacantes conseguiram manter durante períodos tão produtivos.
Sua nona posição reconhece um jogador que encontrou no Brasil o cenário para viver alguns dos momentos mais importantes de sua carreira.
8º — Francisco Arce: o lateral paraguaio que venceu por dois gigantes
PARAGUAI · GRÊMIO E PALMEIRAS
Quando pensamos nos maiores estrangeiros do futebol brasileiro, normalmente lembramos de atacantes habilidosos ou meio-campistas criativos.
Entretanto, Francisco Arce demonstra por que seria injusto limitar essa discussão aos jogadores ofensivos.
O paraguaio construiu uma trajetória extraordinária, principalmente pelas passagens por Grêmio e Palmeiras.
No clube gaúcho, integrou uma geração vencedora comandada por Luiz Felipe Scolari, conquistando a Libertadores de 1995 e o Campeonato Brasileiro de 1996.
Posteriormente, transferiu-se para o Palmeiras e voltou a ser protagonista.
Com o clube paulista, conquistou a Copa do Brasil de 1998, a Copa Mercosul daquele ano e a Libertadores de 1999, entre outros títulos.
Sua qualidade técnica era evidente, especialmente nos cruzamentos e nas cobranças de falta.
Arce possuía uma precisão que transformava bolas paradas em oportunidades reais de gol. Além disso, tinha inteligência para apoiar o ataque sem comprometer completamente o equilíbrio defensivo.
Entretanto, o que mais valorizamos em sua trajetória é a capacidade de manter um nível elevado em duas equipes diferentes.
Não é comum encontrar jogadores que participem de conquistas continentais por clubes brasileiros distintos.
Por isso, acreditamos que Arce merece estar entre os maiores estrangeiros que passaram pelo país.
Sua oitava colocação representa o reconhecimento de um lateral que conseguiu unir talento, regularidade e conquistas importantes.

7º — Andrés D’Alessandro: o argentino que se tornou a alma do Internacional
ARGENTINA · INTERNACIONAL
Existem jogadores que conquistam títulos por um clube. Outros conseguem algo ainda mais difícil: tornam-se parte de sua identidade.
Andrés D’Alessandro pertence ao segundo grupo.
O argentino chegou ao Internacional em 2008 e rapidamente demonstrou personalidade para assumir a organização ofensiva da equipe.
Com excelente domínio de bola, passes precisos e capacidade para atuar em espaços reduzidos, tornou-se uma das principais referências técnicas do clube gaúcho.
Ainda em sua primeira temporada, participou da conquista da Copa Sul-Americana.
Posteriormente, teve papel importante na campanha da Libertadores de 2010, quando o Internacional voltou a conquistar o continente.
Entretanto, sua trajetória não pode ser resumida a essas duas competições.
D’Alessandro permaneceu ligado ao clube durante muitos anos, atravessando diferentes gerações, treinadores e momentos esportivos.
Sua capacidade de proteger a bola, controlar o ritmo das partidas e assumir responsabilidades fez dele uma referência dentro de campo.
Além disso, possuía uma personalidade intensa, que frequentemente despertava admiração entre os colorados e críticas dos adversários.
Mas essa característica também ajuda a explicar sua identificação com o Internacional.
Na nossa avaliação, D’Alessandro merece estar entre os dez maiores porque conseguiu combinar qualidade técnica, longevidade e uma relação extraordinária com a torcida.
Seu legado vai muito além dos títulos: durante anos, foi um dos principais símbolos do clube.
6º — Darío Pereyra: a elegância uruguaia que marcou o São Paulo
URUGUAI · SÃO PAULO
Darío Pereyra representa uma geração de defensores que demonstrou como a qualidade técnica poderia transformar o funcionamento de uma equipe.
O uruguaio chegou ao São Paulo em 1977, vindo do Nacional de Montevidéu, e rapidamente mostrou características que o diferenciavam.
Inicialmente, atuava no meio-campo. Entretanto, sua inteligência e capacidade de interpretar o jogo permitiram que também se destacasse como zagueiro.
Essa mudança foi fundamental para consolidar sua carreira.
Darío não era um defensor limitado a afastar a bola ou disputar jogadas físicas. Pelo contrário, tinha recursos para iniciar ataques, avançar com a posse e encontrar companheiros bem posicionados.
Além disso, demonstrava excelente capacidade de antecipação.
Em uma época na qual muitos defensores priorizavam a marcação individual, o uruguaio apresentava uma compreensão mais ampla da função.
Durante sua trajetória pelo São Paulo, conquistou os Campeonatos Brasileiros de 1977 e 1986, além dos Paulistas de 1980, 1981, 1985 e 1987.
Segundo o fichário oficial do clube, disputou 453 partidas e marcou 37 gols.
Entretanto, os números não conseguem explicar completamente sua importância.
Darío Pereyra ajudou a consolidar uma tradição de defensores técnicos e competitivos no São Paulo.
Sua presença transmitia segurança, mas também oferecia alternativas para a construção ofensiva.
Para nós, sua sexta posição representa o reconhecimento de um jogador que conseguiu unir longevidade, conquistas e uma influência duradoura.
5º — Petkovic: o sérvio que conquistou o coração dos brasileiros
SÉRVIA · FLAMENGO, VASCO E OUTROS CLUBES
Poucos estrangeiros conseguiram estabelecer uma relação tão especial com o futebol brasileiro quanto Dejan Petkovic.
O sérvio chegou ao país trazendo características que rapidamente chamaram a atenção: habilidade refinada, excelente visão de jogo e uma precisão extraordinária nas cobranças de falta.
Entretanto, sua trajetória foi muito além das jogadas bonitas.
Petkovic se tornou protagonista de momentos que permanecem vivos na memória dos torcedores, especialmente daqueles que acompanharam o futebol carioca no começo dos anos 2000.
Sua passagem pelo Vasco já havia demonstrado a capacidade de organizar o meio-campo e decidir partidas importantes.
Posteriormente, no Flamengo, alcançaria uma identificação ainda maior.
O gol inesquecível de 2001 e a consagração em 2009
O momento mais emblemático aconteceu em 2001.
Na decisão do Campeonato Carioca contra o Vasco, o Flamengo precisava vencer por dois gols de diferença para conquistar o título.
Nos minutos finais, Petkovic cobrou uma falta com precisão e marcou o gol que garantiu o tricampeonato estadual ao clube rubro-negro.
Aquele lance não representou apenas uma conquista. Transformou-se em uma das imagens mais marcantes da história do Flamengo.
Entretanto, sua carreira ainda reservaria outro capítulo extraordinário.
Em 2009, já veterano, retornou ao clube em um momento no qual muitos questionavam sua capacidade de continuar atuando em alto nível.
Dentro de campo, respondeu com inteligência, criatividade e liderança técnica.
Ao lado de Adriano e de outros jogadores importantes, ajudou o Flamengo a conquistar o Campeonato Brasileiro daquele ano.
Para nós, existe algo especialmente interessante nessa trajetória.
Petkovic conseguiu ser decisivo em dois momentos muito diferentes de sua carreira.
Primeiro, como um meia talentoso e tecnicamente refinado. Depois, como um veterano que utilizava a experiência para compensar as limitações físicas naturais da idade.
Além disso, conquistou o respeito de torcedores de diferentes clubes brasileiros.
Sua quinta colocação poderia facilmente ser discutida. Afinal, quando o assunto é identificação popular e momentos inesquecíveis, Petkovic possui argumentos para disputar posições ainda mais altas.

4º — Pedro Rocha: o uruguaio que encantou o São Paulo
URUGUAI · SÃO PAULO
Muito antes de o futebol brasileiro receber alguns dos estrangeiros mais conhecidos da atualidade, Pedro Rocha já demonstrava que talento e inteligência não reconhecem fronteiras.
O uruguaio chegou ao São Paulo em 1970, depois de construir uma carreira de enorme destaque no Peñarol.
Diferentemente de jogadores que desembarcam no Brasil buscando recuperar espaço, Pedro Rocha chegou com uma reputação internacional consolidada.
Entretanto, não se acomodou ao prestígio que havia conquistado anteriormente.
Pelo contrário, tornou-se uma das principais referências técnicas do São Paulo durante a década de 1970.
Sua principal característica era a capacidade de interpretar o jogo.
Pedro Rocha conseguia atuar na organização ofensiva, aproximar-se dos atacantes e também aparecer em condições de finalizar.
Além disso, tinha domínio de bola refinado e uma leitura dos espaços que o diferenciava de muitos adversários.
Em um futebol marcado pela presença de grandes craques brasileiros, o uruguaio conseguiu construir seu próprio espaço.
Durante sua trajetória pelo São Paulo, participou das conquistas dos Campeonatos Paulistas de 1971 e 1975.
O jogador também aparece associado à geração que conquistou o Campeonato Brasileiro de 1977, embora não tenha participado da campanha do título nacional.
Esse cuidado histórico é importante para nossa avaliação.
Não precisamos atribuir conquistas indevidas a Pedro Rocha para reconhecer sua grandeza. Seu desempenho individual e sua influência no futebol brasileiro já oferecem argumentos suficientes.
Além disso, o uruguaio foi reconhecido internacionalmente como um dos grandes jogadores de sua geração.
Na nossa avaliação, sua quarta posição valoriza justamente essa combinação de excelência técnica e legado histórico.
Pedro Rocha merece estar entre os maiores estrangeiros que atuaram no Brasil, mesmo que parte do público mais jovem não tenha acompanhado suas apresentações.
3º — Gustavo Gómez: o capitão que se tornou símbolo de uma geração histórica do Palmeiras
PARAGUAI · PALMEIRAS
Se existe um jogador estrangeiro que merece destaque pela combinação entre liderança, regularidade e conquistas no futebol brasileiro recente, esse nome é Gustavo Gómez.
O zagueiro paraguaio chegou ao Palmeiras em 2018, depois de experiências pelo Libertad, do Paraguai, Lanús, da Argentina, e Milan, da Itália.
Naquele momento, o clube paulista já apresentava um projeto competitivo, mas ainda buscava consolidar uma defesa capaz de sustentar campanhas vencedoras em diferentes competições.
Gómez rapidamente demonstrou que poderia oferecer muito mais do que segurança defensiva.
Sua capacidade de antecipação, força nas disputas aéreas e inteligência no posicionamento fizeram dele uma referência no setor.
Entretanto, foi principalmente pela personalidade que começou a conquistar um espaço especial entre os torcedores.
Mesmo diante de adversários difíceis, o paraguaio demonstrava tranquilidade para organizar a defesa e orientar os companheiros.
Além disso, possuía uma característica importante para equipes que buscavam controlar os jogos: conseguia participar da saída de bola sem depender exclusivamente de lançamentos longos.
Essa qualidade se tornou ainda mais relevante com a evolução tática do Palmeiras.
De zagueiro confiável a capitão de uma geração vencedora
A conquista do Campeonato Brasileiro de 2018 representou o primeiro grande título de Gustavo Gómez pelo Palmeiras.
Entretanto, aquele seria apenas o começo.
Nos anos seguintes, o paraguaio assumiu responsabilidades cada vez maiores e se transformou em uma das principais lideranças do elenco.
Com a chegada de Abel Ferreira, em 2020, sua importância ganhou uma nova dimensão.
O Palmeiras passou a apresentar uma organização defensiva extremamente competitiva, capaz de enfrentar adversários com diferentes características.
Nesse cenário, Gómez tornou-se fundamental.
Sua leitura de jogo ajudava a proteger a área, enquanto sua capacidade de liderança contribuía para manter o posicionamento coletivo.
Além disso, demonstrava personalidade em partidas decisivas.
O resultado apareceu nas conquistas.
O Palmeiras venceu as Libertadores de 2020 e 2021, a Copa do Brasil de 2020 e os Campeonatos Brasileiros de 2022 e 2023, entre outros títulos.
Gómez não foi apenas um integrante dessas equipes. Tornou-se uma das referências de uma geração que marcou profundamente a história do clube.
Essa importância vai além das conquistas. Em nossa análise sobre Gustavo Gómez, exploramos como sua liderança, regularidade e comprometimento ajudaram a transformá-lo em um dos maiores zagueiros da história do Palmeiras.
Um zagueiro que também decide no ataque
Outro aspecto que merece destaque é sua capacidade de contribuir ofensivamente.
Embora sua principal responsabilidade seja defender, Gómez se transformou em uma ameaça constante nas jogadas de bola parada.
Com excelente impulsão e posicionamento, o paraguaio passou a marcar gols importantes em diferentes competições.
Em agosto de 2026, segundo o site oficial do Palmeiras, o defensor havia alcançado 48 gols pelo clube, tornando-se o zagueiro com mais gols na história alviverde.
Na mesma ocasião, o clube anunciou sua renovação contratual até 2030 e destacou que ele já havia conquistado 13 títulos, tornando-se o jogador mais vencedor da história palmeirense.
Palmeiras
Esses números impressionam, mas não contam toda a história.
Gómez representa uma combinação rara de longevidade, competitividade e comprometimento.
Mesmo após conquistar tantos títulos, continuou exercendo um papel importante na organização defensiva da equipe.
Por que Gustavo Gómez merece o terceiro lugar?
Nossa escolha considera especialmente sua influência coletiva.
O paraguaio não depende de grandes jogadas individuais para demonstrar importância. Seu valor aparece na segurança transmitida aos companheiros, na capacidade de liderar e na consistência apresentada ao longo das temporadas.
Além disso, sua trajetória permite uma comparação interessante com outros defensores históricos deste ranking.
Darío Pereyra se destacou pela técnica e inteligência. Elías Figueroa impressionou pela elegância e pelo reconhecimento internacional.
Gómez, por sua vez, construiu um legado marcado pela liderança de uma geração extremamente vencedora.
Na nossa avaliação, esses fatores justificam sua presença no pódio.
E existe um argumento que merece atenção: Gustavo Gómez já pode ser considerado um dos maiores zagueiros da história do Palmeiras, especialmente pela combinação entre títulos, regularidade e importância como capitão.
Sua trajetória também demonstra que um defensor pode exercer tanto protagonismo quanto os grandes atacantes e meio-campistas.
Por isso, acreditamos que sua terceira posição representa uma escolha consistente e historicamente justificável.
2º — Arrascaeta: o uruguaio que construiu uma era vencedora
URUGUAI · CRUZEIRO E FLAMENGO
Giorgian de Arrascaeta representa um dos exemplos mais completos de sucesso de um jogador estrangeiro no futebol brasileiro contemporâneo.
O uruguaio chegou ao Cruzeiro em 2015 e rapidamente demonstrou características que chamavam a atenção.
Com excelente domínio de bola, visão de jogo e capacidade de atuar entre as linhas adversárias, tornou-se uma peça importante na organização ofensiva da equipe mineira.
Entretanto, foi principalmente nas conquistas da Copa do Brasil de 2017 e 2018 que consolidou sua importância.
Arrascaeta não era apenas um meia habilidoso. Também tinha capacidade de aparecer em momentos decisivos, contribuir com gols e criar oportunidades em partidas equilibradas.
Posteriormente, sua transferência para o Flamengo, em 2019, representou o início de uma trajetória ainda mais vitoriosa.
Naquele ano, integrou uma equipe que conquistou o Campeonato Brasileiro e a Libertadores, sob o comando de Jorge Jesus.
Ao lado de jogadores como Bruno Henrique, Gabigol e Everton Ribeiro, o uruguaio participou de um sistema ofensivo que marcou época.
Sua função era especialmente importante porque oferecia criatividade em espaços reduzidos.
Enquanto outros jogadores exploravam a velocidade ou a movimentação em profundidade, Arrascaeta conseguia encontrar passes capazes de desorganizar a defesa adversária.
Além disso, desenvolveu uma capacidade cada vez maior de participar diretamente das finalizações.
Ao longo dos anos seguintes, continuou sendo protagonista em diferentes formações e sob o comando de vários treinadores.
A regularidade que transformou talento em legado
Muitos jogadores conseguem apresentar uma temporada extraordinária. Entretanto, poucos permanecem entre os protagonistas de uma equipe vencedora durante tantos anos.
Arrascaeta conseguiu fazer isso.
Mesmo diante de mudanças no elenco e na comissão técnica, continuou oferecendo criatividade e capacidade de decisão.
Em 2025, viveu uma de suas temporadas mais expressivas, marcando 25 gols pelo Flamengo.
Além disso, participou das conquistas do Campeonato Brasileiro e da Libertadores daquele ano, ampliando ainda mais seu currículo.
Em setembro de 2026, o Flamengo registrava 18 títulos oficiais do uruguaio pelo clube, incluindo três Libertadores, três Campeonatos Brasileiros e duas Copas do Brasil.
Flamengo
Entretanto, acreditamos que sua importância não pode ser medida apenas pelas taças.
Arrascaeta é um jogador capaz de transformar o comportamento ofensivo de uma equipe.
Essa influência vai muito além dos números. Em nossa análise sobre Arrascaeta, exploramos como sua visão de jogo, criatividade e capacidade de encontrar espaços fazem dele uma das principais referências técnicas do futebol brasileiro.
Quando encontra liberdade para circular entre o meio-campo e o ataque, consegue aproximar companheiros, criar superioridade numérica e encontrar passes que poucos jogadores conseguem executar.
Essa característica ajuda a explicar por que permaneceu tão importante durante diferentes fases do Flamengo.
Arrascaeta já merece o primeiro lugar?
Essa é uma das perguntas mais interessantes do nosso ranking.
Se considerássemos prioritariamente títulos, longevidade e protagonismo no século XXI, Arrascaeta teria argumentos extremamente fortes para liderar a classificação.
Além disso, sua trajetória apresenta um diferencial: ele conquistou títulos importantes por dois gigantes do futebol brasileiro.
No Cruzeiro, participou de uma geração vencedora. No Flamengo, tornou-se um dos principais nomes de uma era histórica.
Entretanto, nossa avaliação também considera o reconhecimento individual alcançado pelos jogadores em diferentes épocas.

1º — Elías Figueroa: o chileno que se tornou uma lenda do Internacional
CHILE · INTERNACIONAL
Escolher o maior estrangeiro da história do futebol brasileiro não é uma tarefa simples.
Entretanto, quando analisamos qualidade individual, reconhecimento internacional, protagonismo e influência histórica, Elías Figueroa reúne argumentos extraordinários.
O zagueiro chileno chegou ao Internacional em 1972, depois de se destacar no futebol uruguaio pelo Peñarol.
Naquele período, o futebol brasileiro vivia uma fase de enorme prestígio internacional, impulsionada principalmente pela conquista da Copa do Mundo de 1970.
Portanto, destacar-se no país exigia muito mais do que apresentar boas atuações ocasionais.
Era necessário competir em alto nível contra jogadores extremamente talentosos.
E Figueroa conseguiu fazer isso de maneira impressionante.
Sua principal característica era a combinação entre elegância e eficiência defensiva.
Embora fosse um zagueiro de grande presença física, não dependia exclusivamente da força para vencer os adversários.
Pelo contrário, utilizava posicionamento, antecipação e inteligência para controlar os movimentos dos atacantes.
Além disso, tinha excelente impulsão e uma capacidade notável de disputar jogadas aéreas.
Essas qualidades fizeram dele uma das principais referências do Internacional durante a década de 1970.
O protagonista do bicampeonato brasileiro
A importância de Figueroa não ficou restrita ao desempenho individual.
O chileno foi protagonista de uma das fases mais vitoriosas da história colorada.
Em 1975, o Internacional conquistou seu primeiro Campeonato Brasileiro. No ano seguinte, confirmou sua força ao conquistar o bicampeonato. Conforme os registros históricos do Internacional, Elías Figueroa foi um dos grandes protagonistas dessas conquistas.

Figueroa esteve no centro dessas conquistas, liderando defensivamente uma equipe que reunia jogadores de enorme qualidade.
Além disso, conquistou cinco Campeonatos Gaúchos consecutivos pelo clube, entre 1973 e 1977.
Sport Club Internacional
Mas existe um episódio que sintetiza sua trajetória.
Na decisão do Campeonato Brasileiro de 1975, contra o Cruzeiro, Figueroa marcou o gol que garantiu a vitória por 1 a 0.
O lance ficou conhecido como Gol Iluminado, devido ao efeito da luz solar que destacou o jogador no momento da cabeçada.
Mais do que um gol decisivo, aquele episódio se transformou em um dos símbolos da história do Internacional.
É interessante observar que Figueroa não precisava marcar gols regularmente para ser reconhecido como protagonista.
Sua contribuição principal estava na segurança defensiva, na liderança e na capacidade de organizar o setor mais recuado.
Entretanto, quando surgiu a oportunidade de decidir uma final, também demonstrou sua importância ofensiva.
O reconhecimento que ultrapassou o futebol brasileiro
A grandeza de Figueroa não ficou restrita aos torcedores do Internacional.
O chileno foi eleito o melhor jogador da América do Sul em três anos consecutivos, entre 1974 e 1976, período em que defendia o clube gaúcho.
Esse reconhecimento é especialmente relevante porque ocorreu em uma época de enorme qualidade técnica no futebol sul-americano.
Além disso, Figueroa participou de três Copas do Mundo pela seleção chilena, consolidando sua reputação internacional.
Na nossa avaliação, esse conjunto de fatores sustenta sua liderança.
O chileno foi um defensor de qualidade técnica excepcional, protagonista de conquistas históricas e reconhecido como um dos melhores jogadores do continente em sua época.
Por isso, acreditamos que sua primeira posição representa uma escolha equilibrada entre talento, conquistas e legado.
Naturalmente, Arrascaeta e Gustavo Gómez possuem argumentos importantes para disputar a liderança.
Entretanto, Figueroa reúne um reconhecimento individual extraordinário e uma influência histórica que atravessa gerações.
É essa combinação que, para nós, faz dele o maior estrangeiro que já atuou no futebol brasileiro.
Classificação final: os 10 maiores estrangeiros do futebol brasileiro
| Posição | Jogador | País | Clube de maior destaque |
|---|---|---|---|
| 1º | Elías Figueroa | Chile | Internacional |
| 2º | Arrascaeta | Uruguai | Flamengo |
| 3º | Gustavo Gómez | Paraguai | Palmeiras |
| 4º | Pedro Rocha | Uruguai | São Paulo |
| 5º | Petkovic | Sérvia | Flamengo |
| 6º | Darío Pereyra | Uruguai | São Paulo |
| 7º | D’Alessandro | Argentina | Internacional |
| 8º | Francisco Arce | Paraguai | Grêmio e Palmeiras |
| 9º | Germán Cano | Argentina | Fluminense |
| 10º | Darío Conca | Argentina | Fluminense |
Quem ficou de fora também merece reconhecimento
Naturalmente, uma seleção de apenas dez jogadores deixa de fora nomes que construíram trajetórias importantes no futebol brasileiro.
Juan Pablo Sorín, por exemplo, desenvolveu uma identificação extraordinária com o Cruzeiro. Sua intensidade e personalidade fizeram dele um dos estrangeiros mais queridos pela torcida celeste.
Outro nome que merece reconhecimento é Paolo Guerrero. O atacante peruano construiu uma carreira importante no país e marcou o gol do título mundial do Corinthians em 2012.
Também podemos mencionar Carlos Tévez, protagonista do Campeonato Brasileiro conquistado pelo Corinthians em 2005, e Luis Suárez, que impressionou pela qualidade técnica durante sua passagem pelo Grêmio em 2023.
Além deles, Jhon Arias teve papel fundamental na conquista da Libertadores de 2023 pelo Fluminense, enquanto Víctor Aristizábal integrou o histórico Cruzeiro da Tríplice Coroa de 2003.
Esses exemplos mostram como o futebol brasileiro recebeu talentos estrangeiros de diferentes características e gerações.
Entretanto, considerando os critérios estabelecidos, acreditamos que os dez escolhidos apresentam um conjunto especialmente relevante de conquistas, desempenho e legado.
Conclusão: o talento estrangeiro também construiu a história do Brasil
Ao observarmos as trajetórias apresentadas neste ranking, percebemos que o futebol brasileiro nunca foi construído exclusivamente por jogadores nascidos no país.
Em diferentes épocas, estrangeiros contribuíram para transformar equipes, conquistar títulos e estabelecer relações profundas com os torcedores.
Alguns ficaram conhecidos por gols decisivos. Outros se destacaram pela inteligência, pela criatividade ou pela capacidade de liderar.
Entretanto, todos demonstraram que a identificação com um clube não depende da nacionalidade.
Nossa classificação também mostra como a discussão pode mudar de acordo com os critérios escolhidos.
Se considerássemos principalmente o número de conquistas, Arrascaeta e Gustavo Gómez teriam argumentos extremamente fortes para disputar a liderança.
Por outro lado, quando ampliamos o olhar para diferentes gerações, encontramos nomes históricos como Pedro Rocha, Darío Pereyra e Elías Figueroa, cuja importância merece continuar sendo lembrada.
Para nós, Figueroa ocupa o primeiro lugar porque conseguiu reunir excelência técnica, reconhecimento continental e protagonismo em uma das fases mais importantes da história do Internacional.
Entretanto, reconhecemos que essa escolha está longe de encerrar a discussão.
No Jogo News Brasil, acreditamos que os rankings devem servir não apenas para estabelecer posições, mas também para recuperar histórias e incentivar debates.
Afinal, o futebol é feito de números e conquistas, mas também de memória, identificação e paixão.
E você, concorda com Elías Figueroa na liderança? Arrascaeta já merece o primeiro lugar ou Gustavo Gómez deveria estar ainda mais acima?
Fontes consultadas
- Internacional — Elías Figueroa — trajetória, conquistas e o histórico Gol Iluminado.
- Flamengo — Arrascaeta — carreira, títulos e protagonismo do uruguaio.
- Palmeiras — Gustavo Gómez — conquistas, recordes e liderança do capitão paraguaio.
- São Paulo FC — Fichário histórico — registros de Pedro Rocha e Darío Pereyra.
- Flamengo — Petkovic — trajetória e legado do meia sérvio.
- Internacional — Andrés D’Alessandro — carreira, conquistas e identificação com o clube.
- Palmeiras — Francisco Arce — títulos e trajetória do lateral paraguaio.
- Fluminense — Germán Cano — gols, recordes, Libertadores de 2023 e prêmio de Rei da América.
- ge — Darío Conca e o Brasileirão de 2010 — campanha do título, números e protagonismo do argentino.







