Melhores duplas de ataque: top 10 dos anos 90 e 2000
As melhores duplas de ataque do futebol brasileiro nos anos 90 e 2000 tinham algo em comum: um jogador parecia entender o movimento do outro antes mesmo de receber a bola.
Entre os anos 90 e 2000, os clubes brasileiros reuniram duplas que transformaram características diferentes em soluções para o ataque. Havia velocidade ao lado de precisão, drible combinado com presença de área e centroavantes que também sabiam preparar o gol do companheiro.
Mas quais dessas parcerias mais se completaram?
O Jogo News Brasil selecionou dez duplas que marcaram o período entre 1990 e 2009, considerando todas as competições oficiais disputadas pelos clubes. O recorte inclui estaduais, torneios nacionais e competições internacionais.
Como escolhemos as duplas
Este é um ranking editorial. A ordem considera o entrosamento, a produção ofensiva dos dois jogadores, o desempenho em partidas decisivas e a continuidade da parceria.
Os títulos ajudam a avaliar o impacto, mas não garantem uma posição. Também não basta somar gols: calendários diferentes oferecem quantidades distintas de jogos e adversários. Além disso, os números mencionados correspondem às campanhas dos atletas, sem significar que todos os gols aconteceram com ambos em campo.
O principal é observar como um atacante ajudava o outro a jogar melhor. Com esses critérios, nossa contagem regressiva começa no Vasco.
10º — Romário e Alex Dias: experiência e velocidade no Vasco
Clube: Vasco | Principal referência: 2005
Romário já não precisava percorrer grandes distâncias para incomodar uma defesa. Sua força estava na antecipação, no domínio curto e na capacidade de finalizar antes que o marcador reagisse.
Ao seu lado, Alex Dias oferecia deslocamentos e velocidade. Atacava os espaços, aparecia pelos lados e chegava à área com condições de marcar. Dessa forma, o Vasco contava com dois caminhos para o gol: a movimentação de Alex e a precisão de Romário.
No Campeonato Brasileiro de 2005, Romário marcou 22 gols e terminou como artilheiro. Alex Dias fez outros 19. Foram 41 gols somados naquela edição, uma demonstração da importância dos dois para o ataque vascaíno.
A parceria entra pelo equilíbrio na produção goleadora. Apesar dessa força ofensiva, a dupla fica em décimo porque outras duplas da lista sustentaram seu protagonismo por mais tempo ou tiveram maior impacto em campanhas decisivas.
9º — Marques e Guilherme: o drible encontrava o finalizador
Clube: Atlético-MG | Principal referência: 1999
Marques tinha recursos para transformar uma jogada aparentemente controlada em perigo. Com dribles curtos e mudanças de direção, superava o primeiro marcador e obrigava a defesa a sair de posição.
Nesse contexto, Guilherme aproveitava esse movimento. Forte nas disputas e com presença dentro da área, oferecia uma referência para os passes e cruzamentos. Enquanto Marques criava o desequilíbrio, o companheiro procurava o momento de concluir.
O Atlético chegou à final do Brasileiro de 1999 com essa parceria. Guilherme terminou a competição como artilheiro, com 28 gols, e Marques foi um dos destaques da construção ofensiva.
O nono lugar reconhece um encaixe muito eficiente entre criação e finalização. A concentração do auge naquela campanha e o maior peso goleador de Guilherme deixam a dupla atrás das próximas colocadas.
8º — Túlio e Donizete: profundidade para um especialista da área
Clube: Botafogo | Principal referência: 1995
Donizete acelerava o ataque. Sua potência nas arrancadas dificultava a vida dos defensores e oferecia ao Botafogo uma saída para avançar rapidamente.
Túlio, por sua vez, tinha o gol como referência permanente. Lia a posição dos zagueiros, procurava a antecipação e sabia aproveitar uma bola que sobrasse dentro da área. Por isso, quando Donizete esticava a defesa, surgiam espaços que favoreciam o companheiro.
Os dois foram protagonistas do Botafogo campeão brasileiro de 1995. Túlio encerrou aquela edição como artilheiro, com 23 gols.
A posição se explica pela clareza da parceria e pelo peso na conquista. Donizete acrescentava profundidade e também ameaçava o gol; Túlio transformava as oportunidades em vantagem no placar.

7º — Robinho e Deivid: criatividade com participação coletiva
Clube: Santos | Principal referência: 2004
Robinho atraía a atenção dos marcadores. O drible e as mudanças de direção criavam situações nas quais a defesa precisava escolher entre enfrentá-lo ou proteger os espaços ao redor.
Além de finalizar, Deivid entendia essas oportunidades. Embora fosse a referência mais central, também saía para participar das jogadas, aproximava-se para tabelar e voltava à área para finalizar. Essa mobilidade ajudava o Santos a manter o ataque em movimento.
A parceria integrou o time titular que confirmou o título brasileiro de 2004, sob o comando de Vanderlei Luxemburgo.
O sétimo lugar valoriza a combinação de criatividade e capacidade goleadora. Deivid acompanhava as jogadas e oferecia continuidade ao talento individual do companheiro. O período mais concentrado de protagonismo conjunto limita uma posição superior.
6º — Kléber Pereira e Alex Mineiro: dois caminhos para o gol do Athletico
Clube: Athletico-PR | Principal referência: 2001
Algumas duplas dependem de um jogador que prepara e outro que conclui. Kléber Pereira e Alex Mineiro ofereciam uma divisão menos rígida: ambos podiam aparecer como destino final da jogada.
Kléber acrescentava força, presença de área e agressividade para atacar o gol. Alex Mineiro participava das aproximações e tinha excelente percepção das oportunidades. Assim, a defesa precisava acompanhar duas ameaças constantes.
No Brasileiro de 2001, cada um marcou 17 gols. Alex Mineiro ainda fez oito na fase decisiva da campanha que deu ao Athletico seu primeiro título brasileiro.
A sexta posição reconhece uma das parcerias mais equilibradas da lista na distribuição dos gols. Embora o auge conjunto tenha sido relativamente curto, teve força suficiente para marcar a história do clube.
5º — Romário e Euller: a velocidade encontrava a precisão
Clube: Vasco | Principal referência: 2000
Euller oferecia ao Vasco a possibilidade de atacar em profundidade. Suas arrancadas pelas costas da marcação obrigavam os defensores a correr em direção ao próprio gol.
Romário aproveitava o espaço e o tempo que surgiam dessas movimentações. Com posicionamento e rapidez para concluir, conseguia resolver jogadas em poucos toques. Ao mesmo tempo, a atenção dedicada ao centroavante favorecia as escapadas de Euller.
A dupla participou das conquistas do Brasileiro e da Mercosul de 2000. O Vasco destaca o entendimento entre os dois como uma das marcas daquele time.
O quinto lugar vem da complementaridade e do impacto em duas grandes campanhas. Entretanto, a concentração maior dos gols em Romário pesa na comparação com parcerias que dividiram mais a responsabilidade de marcar.

4º — Edílson e Luizão: improviso e presença de área no Corinthians
Clube: Corinthians | Principal referência: 1999–2000
Edílson podia receber longe do gol, enfrentar o marcador e criar uma oportunidade por conta própria. Seu drible curto e sua capacidade de improvisar ofereciam soluções quando a defesa fechava os caminhos.
Por sua vez, Luizão acrescentava presença entre os zagueiros. Atacava cruzamentos, disputava espaço e precisava de poucos toques para finalizar. Portanto, o Corinthians tinha alternativas para construir pelo chão ou buscar o ataque de maneira mais direta.
A parceria esteve no time campeão brasileiro de 1999 e mundial de 2000, duas referências importantes daquele período corintiano.
A quarta posição reconhece essa variedade de recursos. Edílson ajudava a desmontar a marcação; Luizão oferecia um destino perigoso para a jogada. Juntos, davam ao ataque respostas para diferentes tipos de adversário.
3º — Müller e Palhinha: movimentação e leitura coletiva no São Paulo
Clube: São Paulo | Principal referência: 1992–1993
Müller e Palhinha formavam uma parceria de movimentos e aproximações. Müller podia sair da referência, conduzir a bola e participar da criação. Palhinha combinava com os companheiros e procurava o espaço para chegar à área.
Dessa maneira, essa troca dificultava a marcação. Quando um recuava, o outro podia avançar. Quando a defesa acompanhava o movimento, aparecia uma possibilidade de infiltração.
Palhinha foi artilheiro da Libertadores de 1992, com sete gols. Na decisão mundial de 1993 contra o Milan, os dois marcaram na vitória são-paulina por 3 a 2.
O terceiro lugar combina qualidade técnica e resposta em jogos de enorme exigência. A parceria tinha valor tanto na preparação quanto na conclusão das jogadas e funcionou dentro de um time de forte entendimento coletivo.
2º — Evair e Edmundo: técnica para organizar, talento para acelerar
Clube: Palmeiras | Principal referência: 1993–1994
Evair era um centroavante que também ajudava o ataque a pensar. Podia receber de costas, proteger a bola e encontrar um companheiro em movimento. Além disso, tinha qualidade para finalizar e participar das tabelas.
Edmundo acrescentava aceleração e capacidade de superar adversários no confronto individual. Sua condução mudava o ritmo das jogadas, enquanto Evair oferecia apoio e leitura para dar sequência ao ataque.
A dupla participou dos títulos paulistas e brasileiros de 1993 e 1994. No jogo que confirmou o Brasileiro de 1993, contra o Vitória, Evair e Edmundo marcaram os gols da vitória por 2 a 0.
A segunda posição se apoia no equilíbrio entre entrosamento, capacidade de decidir e repetição de conquistas. Como os dois podiam criar e finalizar, a parceria se tornava menos previsível para os adversários.

1º — Jardel e Paulo Nunes: uma parceria que potencializava os dois
Clube: Grêmio | Principal referência: 1995–1996
Jardel tinha domínio do jogo aéreo, posicionamento e capacidade de transformar um cruzamento em oportunidade de gol. Paulo Nunes acrescentava deslocamentos, agressividade e participação na preparação das jogadas.

Mas o entendimento funcionava nos dois sentidos. Paulo Nunes servia Jardel e também atacava a área. Enquanto isso, a atenção dos zagueiros ao centroavante criava espaços que favoreciam seu companheiro.
Na Libertadores de 1995, Jardel foi artilheiro com 12 gols. Ambos marcaram na vitória por 3 a 1 sobre o Atlético Nacional, na primeira partida da final. O próprio Grêmio destaca a importância de Paulo Nunes como fornecedor de jogadas para Jardel.
Por essa razão, a liderança do ranking vem desse encaixe. As características individuais viravam uma vantagem coletiva recorrente: o movimento de um aumentava a capacidade de decisão do outro.
A conquista continental reforça a escolha e ajuda a explicar por que o [Grêmio de 1995] se tornou um dos times mais marcantes daquela década. Já o Brasileiro de 1996 não entra na avaliação como título da parceria, pois Jardel deixou o Grêmio antes daquela campanha.
Qual dessas duplas mais marcou sua memória?
Comparar épocas envolve diferenças de calendário, adversários e maneiras de jogar. Por isso, a ordem admite debate — especialmente quando a lembrança de uma final ou de uma temporada inteira entra em campo.
Ainda assim, essas dez parcerias mostram como o entendimento entre atacantes pode ampliar o talento individual. Um deslocamento bem feito, uma tabela ou a percepção do espaço do companheiro muitas vezes explicam tanto quanto o último toque.
Na sua opinião, qual dupla merecia o primeiro lugar? E qual ficou fora da nossa seleção?
Fontes consultadas
- Grêmio — Jardel e sua trajetória no clube
- Grêmio — Libertadores de 1995
- Palmeiras — A conquista brasileira de 1993
- São Paulo — Libertadores de 1992
- São Paulo — Ficha técnica da final mundial de 1993
- ESPN — Luizão relembra o Corinthians de 2000
- Vasco — Euller relembra o título brasileiro de 2000
- Athletico — Números da campanha brasileira de 2001
- Santos — A conquista brasileira de 2004
- Botafogo — O título brasileiro de 1995
- Atlético-MG — Guilherme
- Atlético-MG — Marques
- FutVasco — Romário e Alex Dias







