São Paulo de 2005: o time que conquistou o mundo
O ano de 2005 ocupa um lugar especial na história do São Paulo. Em uma única temporada, o Tricolor conquistou o Campeonato Paulista, voltou ao topo da América depois de mais de uma década e terminou o ano vencendo o Liverpool para se tornar campeão mundial.
Foi uma equipe marcada pela liderança de Rogério Ceni, contudo, pela força defensiva de nomes como Lugano e Fabão, pelas arrancadas de Cicinho, pelo equilíbrio de Mineiro e Josué, pela qualidade de Danilo e por um ataque que mudou de peças durante a temporada, mas continuou decisivo.
O mais interessante é que aquele São Paulo não permaneceu exatamente igual durante todo o ano. Houve mudança de treinador, chegadas e saídas de jogadores e diferentes formações até Paulo Autuori encontrar a equipe que viajaria ao Japão.
Esta é a história do São Paulo de 2005, um time que começou o ano dominando o futebol paulista e terminou levantando a taça de campeão do mundo.
O primeiro aviso veio no Campeonato Paulista
Antes da Libertadores e do Mundial, o São Paulo já dava sinais de que 2005 poderia ser diferente.

Sob o comando de Emerson Leão, o Tricolor construiu uma campanha dominante no Campeonato Paulista. Em 19 partidas, Rogério Ceni participou de 14 vitórias, e jogadores como Cicinho, Júnior, Mineiro, Josué, Danilo e Grafite tiveram presença importante na campanha.
O título estadual representou mais do que a primeira taça da temporada. O São Paulo havia montado uma base competitiva que reunia jogadores experientes, atletas em grande fase e um sistema capaz de atacar sem abrir mão da força defensiva.
Cicinho dava enorme profundidade pelo lado direito. Júnior cumpria papel semelhante pelo outro lado. Mineiro e Josué protegiam a defesa e permitiam que Danilo aparecesse mais próximo do ataque.
E atrás de todos eles estava o capitão.
Rogério Ceni não era apenas o goleiro daquele time. Além de comandar a defesa, também participava ofensivamente por meio das cobranças de falta e pênalti.
A temporada que começava bem ainda reservava desafios muito maiores.
A troca de comando durante a caminhada
Emerson Leão deixou o clube durante a temporada, e o São Paulo passou a ser comandado por Paulo Autuori.
A mudança poderia ter interrompido o crescimento da equipe. O que aconteceu foi o contrário.
Autuori manteve características importantes do trabalho anterior e conduziu o time durante a fase decisiva da Libertadores. A própria relação oficial dos campeões da competição registra Leão e Autuori como os dois treinadores envolvidos naquela campanha.
Pouco depois da chegada do novo técnico, uma goleada já mostrava a força daquele elenco.
Em maio, pelo Campeonato Brasileiro, o São Paulo derrotou o Corinthians por 5 a 1 no Pacaembu. Rogério Ceni abriu o placar de pênalti, Luizão marcou duas vezes, e Danilo e Cicinho completaram a goleada.
Mas o objetivo que mudaria o tamanho daquela temporada estava em outra competição.
A caminhada pela Libertadores de 2005
O São Paulo buscava um título que não conquistava desde 1993.
Na primeira fase da Libertadores, enfrentou The Strongest, Universidad de Chile e Quilmes e avançou para os mata-matas.
Então surgiu um adversário conhecido.
O clássico contra o Palmeiras
Nas oitavas de final, São Paulo e Palmeiras fizeram um confronto brasileiro pela vaga nas quartas.
O Tricolor venceu os dois jogos.
Primeiro, 1 a 0. Depois, 2 a 0 no Morumbi.
O resultado levou o time às quartas de final contra o Tigres, do México. No primeiro confronto, o São Paulo construiu uma enorme vantagem ao vencer por 4 a 0. Mesmo com a derrota por 2 a 1 na volta, avançou.
Na semifinal, outro gigante sul-americano estava pelo caminho: o River Plate.
Mais uma vez, o São Paulo venceu as duas partidas.
Fez 2 a 0 no Morumbi e depois venceu por 3 a 2 na Argentina.
Depois de 11 anos, o clube estava novamente em uma final de Libertadores.
A final contra o Athletico-PR

Do outro lado estava o Athletico-PR.
O primeiro jogo terminou empatado em 1 a 1, em Porto Alegre. A decisão, porém, seria no Morumbi.
Em 14 de julho de 2005, 71.986 pagantes acompanharam a partida que poderia devolver o São Paulo ao topo do continente.
E o que poderia ter sido uma final equilibrada transformou-se em uma das noites mais marcantes da história do estádio.
Amoroso abriu o placar.
Depois vieram Fabão, Luizão e Diego Tardelli.
São Paulo 4 a 0.
O clube conquistava sua terceira Copa Libertadores, depois dos títulos de 1992 e 1993.
Rogério Ceni ergueu a taça diante de um Morumbi em festa.
Mas aquela Libertadores tinha outra consequência.
O São Paulo estava classificado para disputar o Mundial de Clubes no Japão.
Um time que mudou entre a América e o mundo
É importante observar que o São Paulo campeão mundial não era exatamente o mesmo time que havia conquistado a Libertadores alguns meses antes.
Luizão, por exemplo, foi um personagem importante da campanha continental. Na finalíssima contra o Athletico-PR, começou como titular e marcou um dos gols do 4 a 0.
No Mundial, o ataque já tinha outra configuração.
Amoroso e Aloísio formariam a dupla titular contra o Liverpool.
A estrutura principal, porém, permanecia reconhecível.
Rogério Ceni comandava o time no gol. A defesa tinha jogadores como Fabão, Lugano e Edcarlos. Cicinho e Júnior davam amplitude. Mineiro e Josué sustentavam o meio-campo, enquanto Danilo ajudava a conectar o setor com o ataque.
Era um time construído para competir.
E no Japão precisaria mostrar isso contra adversários de continentes diferentes.
A estreia no Mundial
O São Paulo entrou diretamente na semifinal do Mundial de Clubes e enfrentou o Al-Ittihad, da Arábia Saudita.
A partida foi mais difícil do que muitos poderiam imaginar.
Mas o Tricolor venceu por 3 a 2.
Amoroso marcou duas vezes, enquanto Rogério Ceni converteu um pênalti.
A vitória colocou o clube na decisão.
Do outro lado estava o campeão europeu.
O Liverpool, comandado por Rafa Benítez, tinha nomes como Steven Gerrard, Xabi Alonso, Jamie Carragher, Fernando Morientes e Peter Crouch.
Era o confronto que os são-paulinos esperavam.
18 de dezembro de 2005: São Paulo x Liverpool
O palco foi o Estádio Internacional de Yokohama.
Em 18 de dezembro, São Paulo e Liverpool entraram em campo para decidir o Mundial.
Paulo Autuori escalou:
Rogério Ceni; Fabão, Lugano e Edcarlos; Cicinho, Mineiro, Josué, Danilo e Júnior; Amoroso e Aloísio.
O Liverpool pressionou e criou oportunidades.
Mas o momento que entraria definitivamente para a história do São Paulo aconteceu ainda no primeiro tempo.
Aos 26 minutos, Mineiro recebeu de Aloísio e marcou o gol da partida.
São Paulo 1 a 0.
A partir daquele momento, o jogo ganhou outro protagonista.
Rogério Ceni e uma atuação histórica
O Liverpool aumentou a pressão.
E Rogério Ceni respondeu.
O capitão fez intervenções decisivas durante a partida e tornou-se uma das figuras centrais daquela final. A atuação ficou especialmente marcada por uma defesa em cobrança de falta de Steven Gerrard.
O São Paulo resistiu até o apito final.
Liverpool 0 x 1 São Paulo.

Mineiro havia marcado o gol mais importante de sua carreira, e Rogério Ceni terminava o torneio como um dos grandes símbolos da conquista.
O capitão são-paulino recebeu a Bola de Ouro do Mundial de Clubes, concedida ao melhor jogador da competição. O São Paulo também registra Rogério como melhor jogador da decisão.
O mundo voltava a ser tricolor.
Rogério Ceni, o símbolo daquela geração
Grandes equipes normalmente acabam representadas por um jogador.
No São Paulo de 2005, esse jogador foi Rogério Ceni.
Ele era capitão, goleiro, cobrador de faltas e pênaltis e uma das principais lideranças do elenco.
Sua importância também apareceu ofensivamente. Na Libertadores, Rogério terminou empatado com Luizão como artilheiro do São Paulo na competição, com cinco gols cada.
No Mundial, ainda marcou de pênalti contra o Al-Ittihad antes de ser decisivo diante do Liverpool.
Era uma característica incomum: o principal goleiro do time também poderia decidir partidas fazendo gols.
Mas reduzir aquela conquista apenas a Rogério seria injusto com o restante da equipe.
Os homens que fizeram o São Paulo de 2005
Lugano virou símbolo de raça e identificação com a torcida.
Fabão e Edcarlos ajudaram a formar a proteção defensiva.
Cicinho transformou o lado direito em uma das principais armas ofensivas da equipe.
Júnior oferecia experiência e qualidade pelo lado esquerdo.
No meio, a dupla Mineiro e Josué proporcionava intensidade, marcação e equilíbrio. E foi justamente Mineiro quem apareceu no momento mais importante de todos.
Danilo, com sua técnica e inteligência, fazia a ligação entre meio e ataque.
Na frente, diferentes jogadores tiveram protagonismo em momentos diferentes: Grafite, Luizão, Amoroso, Diego Tardelli e Aloísio fazem parte da história daquela temporada.
Essa capacidade de mudar peças sem perder competitividade ajuda a explicar por que o São Paulo conseguiu sobreviver a uma temporada tão longa.
Três títulos e um lugar na história
O São Paulo encerrou 2005 com três grandes conquistas:
Campeonato Paulista, Copa Libertadores e Mundial de Clubes.
Mas a importância daquela equipe vai além da quantidade de taças.
O desempenho daquela geração também colocou o São Paulo de 2005 entre os grandes times brasileiros do século XXI.
A Libertadores encerrou um intervalo de mais de uma década sem o clube conquistar a América. O Mundial colocou aquela geração ao lado das equipes são-paulinas campeãs intercontinentais de 1992 e 1993.
E ainda produziu personagens que permaneceriam profundamente ligados à história do clube.
Cicinho partiria para o Real Madrid. Lugano se tornaria um dos estrangeiros mais identificados com o São Paulo. Mineiro ficaria eternizado pelo gol em Yokohama.
E Rogério Ceni consolidaria ainda mais sua condição de um dos maiores símbolos da história tricolor.
O legado do São Paulo de 2005
Duas décadas depois, algumas imagens continuam imediatamente associadas àquela temporada.
O Morumbi lotado na final da Libertadores.
Rogério Ceni levantando a taça continental.
Mineiro entrando na área em Yokohama.
A bola no fundo da rede.
As defesas de Rogério.
E os jogadores esperando os últimos segundos diante do Liverpool.
O São Paulo começou 2005 campeão paulista. Tornou-se tricampeão da América em julho. E, em dezembro, atravessou o planeta para enfrentar o campeão europeu.
Voltou do Japão com a taça.
O time de 2005 não apenas ganhou títulos. Construiu uma temporada que se tornou parte permanente da memória do torcedor são-paulino.







