Kevin Viveros: o grande trunfo que o Athletico tem nas mãos
Há atacantes que precisam de uma sequência de oportunidades para marcar presença em uma partida. Outros obrigam a defesa a se preocupar antes mesmo de receber a bola. Na nossa leitura, Kevin Viveros pertence a esse segundo grupo: um centroavante cuja ameaça começa no espaço que ele pode atacar e ganha força quando a jogada chega à área.
O colombiano está entre os protagonistas do Brasileirão de 2026. Em levantamento publicado pelo Sofascore em 2 de outubro, após 28 rodadas do campeonato, aparecia como artilheiro, com 18 gols em 26 partidas. Somava também 77 finalizações, números que mostram a frequência com que participa da conclusão das jogadas.
Mas o interesse por Viveros vai além da tabela de artilharia. O que torna sua temporada uma boa pauta é a possibilidade de enxergar, por trás dos gols, um atacante com características úteis a diferentes equipes.
É por isso que o Athletico tem um grande trunfo nas mãos. No ponto de vista do Jogo News Brasil, Viveros apresenta recursos para disputar espaço em muitos times de ponta do futebol brasileiro e para ser uma opção interessante em projetos no exterior. Essa avaliação diz respeito ao seu potencial de encaixe, sem pressupor propostas ou negociações.
A ameaça começa antes do chute
Para um zagueiro, acompanhar um atacante que busca profundidade exige decisões constantes. Subir a linha pode deixar espaço nas costas; recuar demais pode aproximar o adversário da área e reduzir a pressão sobre quem tem a bola.
Viveros oferece uma ameaça que permite explorar esse dilema. Sua disposição para atacar espaços obriga a defesa a considerar o passe seguinte, além da jogada que está acontecendo naquele instante.
Quando o centroavante inicia uma corrida, pode criar uma oportunidade para si ou levar um marcador para longe da região em que um companheiro pretende receber. Assim, a movimentação também pode beneficiar o ataque sem terminar em finalização do próprio jogador.
Essa é uma das razões pelas quais o gol, embora seja a parte mais visível do trabalho, não explica tudo. O atacante pode influenciar a organização defensiva antes que a bola chegue até ele.
Presença física com direção
A força de um centroavante tem valor quando serve a uma ação concreta. Proteger a bola, disputar uma posição e sustentar uma corrida sob contato são tarefas diferentes, mas todas podem ajudar a equipe a avançar.
Na nossa avaliação, a combinação de presença física e movimentação é um dos caminhos para entender o valor de Viveros. Ele oferece ao Athletico uma referência que pode ameaçar o espaço à frente e participar de disputas próximas dos defensores.
Isso amplia as opções para quem constrói a jogada. Um passe em profundidade procura a corrida; uma bola mais direta pode exigir proteção e aproximação dos companheiros. A escolha depende da pressão adversária e dos apoios disponíveis.
Contudo, ter força não significa vencer todas as disputas. O interesse está em como o atacante usa esse recurso dentro do plano coletivo, encontrando situações em que pode transformar contato e deslocamento em vantagem.

Os números colocam a ameaça em perspectiva
Os 18 gols em 26 jogos correspondem a aproximadamente 0,69 gol por partida disputada naquele recorte. É uma relação expressiva, embora não seja uma média por 90 minutos e não considere as diferenças de tempo em campo.
As 77 finalizações também ajudam a explicar sua presença na artilharia. São quase três tentativas por partida: um sinal de participação frequente na busca pelo gol.
Esses dados, porém, não bastam para concluir que Viveros é o finalizador mais eficiente do campeonato. Para essa comparação, precisaríamos considerar a qualidade das oportunidades, os gols esperados, os pênaltis e os minutos de cada atacante.
O que podemos afirmar é que o colombiano combina produção de gols com volume de tentativas. Ele aparece para concluir, e sua temporada oferece resultados concretos dessa participação.
Uma partida que ilustra seu poder de decisão
A vitória do Athletico por 3 a 2 sobre o Botafogo, na 24ª rodada, oferece um exemplo. Segundo o Sofascore, Viveros marcou duas vezes em duas finalizações no alvo, completou 13 de 15 passes e sofreu quatro faltas. Sua atuação recebeu nota 8,5.
O recorte mostra mais do que os gols. Os passes certos indicam participação nas conexões da equipe, enquanto as faltas sofridas registram situações em que o adversário precisou interromper sua ação.
O Sofascore também apontou 0,42 de gols esperados naquela partida. Marcar duas vezes a partir dessa estimativa caracteriza uma atuação de grande aproveitamento, mas um jogo isolado não garante que essa relação se repita.
Ainda assim, o exemplo ajuda a visualizar seu impacto: aproveitar oportunidades e participar do jogo ao redor delas. É essa combinação que torna um atacante difícil de administrar.

Por que Kevin Viveros poderia encaixar em equipes de ponta?
Quando defendemos que Viveros poderia jogar em muitos times de ponta do Brasil, pensamos nas funções que seu perfil permitiria explorar.
Uma equipe com meias capazes de encontrar passes em profundidade poderia aproveitar seus deslocamentos. Um time que acelera depois de recuperar a bola encontraria uma opção para atacar o espaço antes da reorganização defensiva.
Já uma equipe que costuma empurrar o adversário para perto da própria área precisaria avaliar sua atuação em espaços menores. Nesse cenário, o valor estaria na ocupação da área, no tempo dos movimentos e na capacidade de combinar sob pressão.
Portanto, nossa opinião não é que qualquer sistema produziria o mesmo resultado. O encaixe depende do modelo de jogo, dos companheiros e das tarefas exigidas do centroavante.
Viveros apresenta características que abrem possibilidades. O desafio de uma equipe interessada seria criar condições para que essas possibilidades se transformassem em rendimento.
O exterior como possibilidade de desenvolvimento
A mesma lógica vale para o futebol internacional. Atacar profundidade, suportar contato e chegar em condição de finalizar são recursos úteis em diferentes campeonatos.
Isso torna plausível imaginar Viveros em projetos fora do Brasil, especialmente naqueles que valorizam mobilidade e transições ofensivas. É uma projeção baseada no perfil do atacante, e não uma informação sobre interesse de clubes.
Uma mudança também traria exigências novas: intensidade, organização defensiva, adaptação ao ambiente e concorrência por posição. O desempenho no Brasileirão oferece uma referência importante, mas não elimina essas etapas.
Por isso, o destino adequado seria aquele em que suas características encontrassem uma função clara e oportunidades de continuidade. A qualidade do projeto teria peso na evolução do jogador.
O trunfo pertence ao Athletico
Antes de pensar em outros clubes, é preciso reconhecer o que Viveros oferece ao Athletico. Ter um atacante capaz de sustentar uma produção relevante de gols representa uma vantagem esportiva em um campeonato longo.
O Athletico também oferece uma boa pauta no setor defensivo. Enquanto Viveros chama atenção no ataque, Arthur Dias permite observar outra parte do funcionamento da equipe: a proteção da defesa e a participação na saída de bola. Confira nossa análise sobre Arthur Dias e seu papel no Athletico.
Na nossa leitura, o clube reúne um jogador que dá resposta no presente e desperta projeções para o futuro. Esse potencial merece cuidado: continuidade, apoio coletivo e desenvolvimento dos aspectos que ainda podem evoluir.
Viveros não precisa sair para confirmar seu valor. Sua temporada já oferece motivos para que o Athletico o trate como uma peça importante de seu projeto.
O grande trunfo está justamente aí: contar com um centroavante cuja ameaça envolve movimento, presença e gol. Um atacante que, no nosso ponto de vista, possui ferramentas para enfrentar desafios maiores — e que hoje coloca essas ferramentas a serviço do Athletico.







