6 grandes meias que tiveram pouco espaço na Seleção

O futebol brasileiro dos anos 1990 e 2000 viveu uma época privilegiada quando o assunto era talento no meio-campo. Em praticamente toda temporada surgia um jogador capaz de decidir uma partida com um passe, uma cobrança de falta ou uma jogada individual.

O problema — se é que podemos chamar assim — era a concorrência.

Vestir a camisa de um grande clube e se tornar protagonista não significava necessariamente conquistar espaço na Seleção Brasileira. Havia tantos jogadores de qualidade disputando as mesmas posições que alguns nomes importantes acabaram tendo uma passagem pela Amarelinha bem menor do que aquela construída por seus clubes.

E é justamente essa diferença que vamos analisar.

Como foi feito este ranking?

Este é um ranking editorial do Jogo News Brasil.

Não estamos afirmando que os jogadores desta lista obrigatoriamente deveriam ter sido titulares da Seleção ou que foram injustiçados pelos treinadores da época.

Para definir as posições, consideramos principalmente:

  • qualidade técnica;
  • protagonismo nos clubes;
  • conquistas;
  • regularidade e longevidade;
  • oportunidades recebidas pela Seleção principal;
  • concorrência enfrentada na época;
  • e a diferença entre o tamanho da carreira nos clubes e o espaço conquistado com a camisa do Brasil.

Dados históricos e estatísticos foram conferidos em fontes jornalísticas, clubes, federações e bases especializadas.

A pergunta que orienta o ranking é simples:

Considerando o futebol apresentado nos clubes, quem poderia ter construído uma história maior na Seleção Brasileira?

Vamos do sexto ao primeiro colocado.


6º — Carlos Miguel

Para quem acompanhou o futebol brasileiro nos anos 90, Carlos Miguel é um nome difícil de separar daquele grande Grêmio da década.

Meia habilidoso, com boa chegada ao ataque e capacidade de organização, fez parte de uma geração gremista extremamente vencedora.

Seu período de maior destaque coincidiu justamente com uma fase em que o futebol brasileiro possuía uma enorme quantidade de opções para o meio-campo.

A passagem pela Seleção principal, porém, foi pequena diante do protagonismo que alcançou nos clubes.

Por que está em 6º?

Carlos Miguel abre nosso ranking porque existe um contraste claro entre a importância que alcançou principalmente no Grêmio e o espaço que recebeu na Seleção.

Por outro lado, quando comparamos sua trajetória individual com os cinco jogadores seguintes, considero que os demais construíram argumentos ainda mais fortes para ocupar posições superiores.

Mesmo assim, sua presença mostra como era difícil para um meia se estabelecer no Brasil daquela geração.


5º — Palhinha

Palhinha foi um dos personagens de uma das equipes brasileiras mais marcantes do início dos anos 90.

No São Paulo comandado por Telê Santana, conseguiu atuar tanto mais avançado quanto participando da construção das jogadas. Na Libertadores de 1992, por exemplo, terminou como principal goleador são-paulino da campanha, com sete gols.

Era um jogador técnico, móvel e com capacidade de decidir.

E chegou à Seleção Brasileira.

O problema é que sua passagem pela equipe nacional nunca alcançou o mesmo tamanho de sua importância naquele São Paulo.

A maior frustração aconteceu em 1994.

Palhinha esperava participar da Copa do Mundo dos Estados Unidos, mas acabou fora da convocação de Carlos Alberto Parreira. Pouco depois do Mundial, chegou a declarar que só voltaria a defender a Seleção se fosse para disputar uma Copa.

O Brasil acabou campeão mundial.

Por que está em 5º?

Palhinha teve oportunidades e esteve próximo da Seleção durante seu auge. Por isso, seu caso é diferente de jogadores que praticamente não receberam chances.

Mesmo assim, quando lembramos o tamanho daquele São Paulo e o nível apresentado pelo jogador, chama atenção que ele nunca tenha disputado uma Copa do Mundo.

Ele fica em quinto porque os quatro seguintes apresentam, na minha avaliação, uma diferença ainda maior entre protagonismo nos clubes e espaço na Seleção.


4º — Marcelinho Paraíba

Marcelinho Paraíba é um caso especialmente interessante.

E quem acompanha o Jogo News Brasil talvez já conheça sua história pelo nosso artigo sobre o ex-meia.

Antes de construir uma enorme identificação com o Hertha Berlin, Marcelinho já havia chamado atenção no futebol brasileiro.

Passou pelo São Paulo e viveu um momento importante no Grêmio em 2001.

Foi justamente naquele período que chegou à Seleção.

Em 15 de agosto de 2001, pelas Eliminatórias para a Copa de 2002, o Brasil enfrentou o Paraguai no Estádio Olímpico, em Porto Alegre.

Marcelinho Paraíba marcou um dos gols da vitória brasileira por 2 a 0. Rivaldo fez o outro. O registro consta no histórico oficial da CBF.

Parecia que Marcelinho estava abrindo espaço em um momento decisivo do ciclo para o Mundial.

Mas não foi convocado para a Copa de 2002.

E existe um aspecto que torna seu caso ainda mais interessante: posteriormente ele construiu uma grande carreira na Alemanha, principalmente pelo Hertha Berlin.

Ou seja, parte de seu período mais marcante ainda estava por vir.

Por que está em 4º?

Marcelinho Paraíba teve poucas oportunidades justamente quando parecia se aproximar da Seleção.

Depois, demonstrou no futebol alemão que tinha qualidade para competir em alto nível durante vários anos.

Nunca saberemos até onde poderia ter ido caso tivesse recebido uma sequência maior.

Por isso, fica em quarto lugar.

Depois de uma carreira marcada por talento e personalidade, Marcelinho Paraíba seguiu novos caminhos. Veja também por onde anda Marcelinho Paraíba e o que ele faz atualmente.


3º — Alex

Aqui precisamos fazer uma distinção importante.

Alex não foi esquecido pela Seleção Brasileira.

Ele teve uma passagem consideravelmente maior que a maioria dos jogadores deste ranking.

Mas existe um detalhe enorme em sua trajetória:

Alex nunca disputou uma Copa do Mundo.

E estamos falando de um dos grandes meias brasileiros de sua geração.

No Palmeiras, foi protagonista de uma época histórica. No Cruzeiro, alcançou talvez o ponto máximo de sua carreira no Brasil, tornando-se o grande comandante técnico da equipe de 2003.

Depois, construiu uma enorme história no Fenerbahçe.

Alex também teve momentos importantes pela Seleção e chegou a ser capitão brasileiro.

Portanto, colocá-lo neste ranking exige cuidado: não estamos dizendo que ele quase não foi lembrado.

A questão é outra.

Quando observamos o tamanho da carreira de Alex nos clubes, chama atenção que um jogador dessa dimensão tenha encerrado a carreira sem participar de uma única Copa do Mundo.

Por que está em 3º?

Alex talvez tenha construído a maior carreira geral entre vários jogadores desta lista.

Mas nosso ranking não pergunta simplesmente quem foi o melhor.

Pergunta quem poderia ter tido uma história maior na Seleção.

Como Alex recebeu bem mais oportunidades do que os dois primeiros colocados, ele fica em terceiro.

Ainda assim, sua ausência em Copas permanece como um daqueles grandes “e se?” do futebol brasileiro.


Quer saber o que aconteceu depois dos gramados? Veja também por onde anda Alex e conheça sua nova fase no futebol.

2º — Djalminha

Talento.

Talvez nenhuma palavra explique Djalminha melhor.

Canhoto, criativo, imprevisível e capaz de executar jogadas que poucos jogadores tentariam, Djalminha foi um dos meias brasileiros tecnicamente mais diferentes de sua geração.

Brilhou no futebol brasileiro e depois levou seu futebol para a Espanha, onde se tornou um dos grandes personagens do Deportivo La Coruña.

E não estamos falando de um brasileiro que simplesmente passou pela Europa.

Djalminha foi protagonista de uma das épocas mais importantes da história do Deportivo.

Pela Seleção Brasileira principal, porém, sua história foi curta.

As bases estatísticas registram 14 partidas e cinco gols.

Ele chegou a conquistar a Copa América de 1997.

Mas nunca disputou uma Copa do Mundo.

Nem 1998.

Nem 2002.

A concorrência ajuda a explicar

Esse é um ponto fundamental.

Analisar Djalminha décadas depois sem considerar os jogadores disponíveis para a Seleção naquele período seria injusto com o contexto.

O Brasil possuía uma quantidade extraordinária de jogadores ofensivos e criativos.

Por isso, este artigo não afirma que Djalminha necessariamente deveria ter sido titular.

A pergunta é outra:

um jogador daquele nível técnico poderia ter tido uma história maior pela Seleção?

Na minha avaliação, sim.

Por que está em 2º?

Se este ranking considerasse apenas talento individual, Djalminha poderia perfeitamente ocupar a primeira posição.

Seus 14 jogos e cinco gols mostram que ele teve oportunidades, mas nunca conseguiu transformar aquele espaço em uma trajetória longa pela Seleção.

E o fato de nunca ter disputado uma Copa pesa bastante.

Por isso, ele fica muito perto do primeiro lugar.


1º — Marcelinho Carioca

Chegamos ao jogador que melhor representa o critério deste ranking.

E os números ajudam a entender por quê.

Quatro jogos.

Dois gols.

Essa foi a passagem de Marcelinho Carioca pela Seleção Brasileira principal.

É muito pouco quando comparamos com aquilo que o meia representou no futebol brasileiro dos anos 90.

Marcelinho tornou-se um dos maiores ídolos da história do Corinthians.

Tinha técnica, personalidade e uma característica que poderia mudar qualquer partida: a bola parada.

O apelido Pé-de-Anjo não apareceu por acaso.

Faltas próximas da área podiam se transformar em oportunidades reais de gol.

Mas Marcelinho não era apenas um cobrador de faltas.

Participava da criação, marcava gols, assumia responsabilidades e tornou-se uma das figuras centrais de um Corinthians que conquistou títulos importantes naquele período.

Mesmo assim, praticamente não teve sequência com a camisa amarela.

O próprio ge, ao relembrar sua trajetória, destaca exatamente esse contraste: apesar de ser um dos maiores ídolos corintianos, acumulou apenas quatro partidas pela Seleção principal entre os anos 90 e 2000.

Por que Marcelinho Carioca é o primeiro?

Não estou dizendo que Marcelinho foi necessariamente melhor jogador que Alex ou Djalminha.

Essa não é a proposta deste ranking.

Ele ocupa o primeiro lugar porque representa melhor a pergunta que fizemos no início:

quem apresentou nos clubes um futebol que poderia ter resultado em uma história muito maior pela Seleção Brasileira?

Quatro jogos parecem muito pouco para um jogador que alcançou tamanho protagonismo no futebol brasileiro.

Por isso, na análise editorial do Jogo News Brasil, Marcelinho Carioca ocupa o primeiro lugar.


Uma geração em que sobravam opções

Existe algo que une os seis jogadores deste ranking.

Eles atuaram em uma época extraordinariamente concorrida.

Isso precisa ser lembrado antes de transformar qualquer ausência em “injustiça”.

O Brasil tinha inúmeras alternativas para montar seu meio-campo e setor ofensivo. Treinadores precisavam fazer escolhas, e grandes jogadores inevitavelmente acabavam ficando pelo caminho.

É justamente isso que torna essas histórias tão interessantes.

Carlos Miguel teve pouco espaço.

Palhinha esteve próximo de uma Copa, mas ficou fora.

Marcelinho Paraíba participou das Eliminatórias, marcou pela Seleção e não chegou ao Mundial.

Alex teve uma trajetória relevante pela Amarelinha, mas nunca disputou uma Copa.

Djalminha mostrou enorme talento, mas também ficou sem Mundial.

E Marcelinho Carioca, apesar de ser um dos jogadores mais marcantes do futebol brasileiro dos anos 90, terminou com apenas quatro partidas pela principal.

Talvez essa seja justamente a melhor demonstração do nível de concorrência daquele período.

E para você, quem deveria ter tido mais espaço?

Rankings sempre geram discussão — e esse é exatamente o objetivo.

Você manteria Marcelinho Carioca em primeiro? Colocaria Djalminha? Alex? Ou algum grande meia ficou fora da nossa lista?

O futebol não é feito apenas das histórias que aconteceram.

Às vezes, os maiores debates nascem justamente daquelas que poderiam ter acontecido.

Fontes consultadas