Por onde anda Marcelinho Paraíba? Veja como está o ex-jogador

Cabelos coloridos, personalidade forte, uma canhota capaz de decidir partidas e uma carreira que atravessou diferentes países e gerações.

Quem acompanhou o futebol brasileiro no fim dos anos 1990 e durante os anos 2000 provavelmente se lembra de Marcelinho Paraíba.

O meia passou por grandes clubes brasileiros, vestiu a camisa da Seleção e construiu uma relação tão forte com o Hertha Berlin que, anos depois de deixar a Alemanha, milhares de torcedores voltaram ao estádio para homenageá-lo.

Mas o tempo passou.

Marcelinho encerrou sua longa trajetória como jogador e começou uma nova caminhada à beira do campo.

Afinal, por onde anda Marcelinho Paraíba?

Depois de pendurar as chuteiras, o ex-meia decidiu continuar no futebol como treinador. Nos últimos anos, comandou equipes principalmente no Nordeste e conquistou até um título nessa nova função. Em 2025, voltou ao Baraúnas para disputar a Segunda Divisão do Campeonato Potiguar.

Sua história depois dos gramados, porém, fica ainda mais interessante quando lembramos de onde tudo começou.

De Campina Grande para o futebol brasileiro

Marcelo dos Santos nasceu em Campina Grande, na Paraíba, em 17 de maio de 1975.

Foi justamente a origem paraibana que acabaria se tornando parte de sua identidade.

Marcelinho nunca escondeu o orgulho de suas raízes. Anos mais tarde, porém, ao relembrar a carreira, contou ao ge sobre uma comemoração em que exibiu uma camisa com a mensagem “100% Paraíba”, num período em que, segundo ele, muitos jogadores nordestinos ainda tinham dificuldade em assumir publicamente suas origens.

Depois dos primeiros passos no futebol, sua carreira começou a ganhar dimensão nacional.

E um dos clubes responsáveis por isso foi o São Paulo.

Marcelinho Paraíba ganha destaque no São Paulo

No fim da década de 1990, Marcelinho encontrou no São Paulo um dos primeiros grandes palcos de sua carreira.

Com habilidade, velocidade, finalização e personalidade, passou a ganhar espaço em uma equipe recheada de jogadores conhecidos.

Foi também nesse período que o nome Marcelinho Paraíba começou a ficar conhecido nacionalmente.

O meia participou das conquistas dos Campeonatos Paulistas de 1998 e 2000, antes de seguir sua carreira fora do país.

Por onde anda Marcelinho Paraíba

Mais do que títulos, aquela passagem serviu para apresentar ao futebol brasileiro um jogador que dificilmente passava despercebido.

Dentro de campo pela técnica.

Fora dele pelo estilo e pela personalidade.

Um ano especial com a camisa do Grêmio

Existe um capítulo da carreira de Marcelinho que não deveria ser ignorado antes de chegarmos à Alemanha.

2001.

Depois de uma passagem pelo futebol francês, Marcelinho voltou ao Brasil e defendeu o Grêmio.

Foi uma passagem relativamente curta, mas importante.

Naquele ano, participou da conquista da Copa do Brasil, competição na qual marcou cinco gols segundo registros estatísticos disponíveis.

O desempenho, no entanto, também abriu uma das portas mais importantes de sua carreira.

A Seleção Brasileira.

Mesmo com o talento demonstrado nos clubes, Marcelinho Paraíba teve poucas oportunidades com a camisa amarela e aparece entre os grandes meias que poderiam ter recebido mais espaço na Seleção Brasileira.

Em agosto de 2001, Marcelinho marcou na vitória do Brasil por 2 a 0 sobre o Paraguai, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo. Rivaldo fez o outro gol. A partida aconteceu justamente no Estádio Olímpico, casa do Grêmio.

Marcelinho participou daquela campanha das Eliminatórias, mas não esteve no grupo que posteriormente conquistaria o pentacampeonato mundial em 2002.

Seu próximo grande capítulo, no entanto, seria escrito a milhares de quilômetros do Brasil.

A Alemanha conheceu Marcelinho Paraíba

Em 2001, Marcelinho chegou ao Hertha Berlin.

Talvez nem ele imaginasse o tamanho da relação que construiria com o clube e com seus torcedores.

Se no Brasil já era conhecido, na Alemanha Marcelinho encontrou o cenário para viver uma das fases mais marcantes da carreira.

Além disso, o brasileiro se tornou protagonista do Hertha.

E os números ajudam a explicar essa relação.

Segundo os registros disponíveis sobre sua passagem, Marcelinho acumulou 193 partidas oficiais pelo Hertha, com 79 gols. O número de jogos também aparece nas bases estatísticas de carreira.

Para um meio-campista, é uma produção bastante expressiva.

Mas números sozinhos não explicam completamente o que aconteceu em Berlim.

Mais do que um brasileiro que jogou na Europa

Marcelinho virou um personagem identificado com o Hertha.

Técnica, gols, cobranças de falta e personalidade fizeram com que o brasileiro construísse uma relação especial com os torcedores.

Ele permaneceu no clube entre 2001 e 2006.

E a dimensão dessa identificação ficaria ainda mais evidente muitos anos depois.

Em 2017, o Hertha realizou uma partida de despedida para Marcelinho no Estádio Olímpico de Berlim.

Aproximadamente 25 mil pessoas compareceram.

Não era a despedida de um alemão criado no clube.

Era a homenagem a um jogador nascido em Campina Grande que havia conquistado seu espaço do outro lado do Atlântico.

Por onde anda Marcelinho Paraíba

Uma carreira que parecia não querer terminar

Depois de deixar o Hertha, Marcelinho ainda teria muitos capítulos pela frente.

Passou por outros clubes no exterior e voltou ao futebol brasileiro.

Contudo, sua lista de equipes se tornou extensa e incluiu nomes como Flamengo, Coritiba, Sport, Fortaleza e Treze, além de outras equipes.

O mais impressionante, porém, era a longevidade.

Enquanto muitos jogadores de sua geração já haviam encerrado a carreira, Marcelinho continuava entrando em campo.

O futebol acabou levando o jogador de volta para perto de suas origens.

E foi na Paraíba que começou a despedida.

A despedida do futebol profissional

Em 15 de março de 2020, Marcelinho viveu um momento simbólico.

Defendendo a Perilima, de Campina Grande, entrou em campo contra o CSP pelo Campeonato Paraibano.

Marcelinho atuou durante o primeiro tempo.

Depois da partida, confirmou que aquele havia sido seu último jogo como atleta profissional naquele contexto, encerrando uma trajetória que havia atravessado décadas, países e dezenas de clubes.

Ele tinha 44 anos. A despedida foi acompanhada pelo ge no próprio estádio.

Mas deixar de ser jogador não significava deixar o futebol.

Marcelinho já tinha outro plano.

Da camisa 10 para a área técnica

Depois de tantos anos tomando decisões dentro do campo, Marcelinho passou a tentar tomá-las do lado de fora.

Começou uma nova trajetória como treinador.

E, aos poucos, passou a acumular experiências em clubes menores, especialmente no futebol nordestino.

Entre as equipes comandadas aparecem Treze, Oeirense, Serra Branca, Baraúnas e Nacional de Patos.

Em 2022 veio uma conquista importante nessa nova profissão.

Marcelinho comandou o Serra Branca no título da Segunda Divisão do Campeonato Paraibano, garantindo acesso à elite estadual.

Era uma conquista muito diferente daquelas vividas como jogador.

Agora, Marcelinho não precisava marcar o gol.

Precisava preparar uma equipe para marcá-lo.

Por onde anda Marcelinho Paraíba

Uma curiosa situação em 2025

A carreira de treinador também produziu episódios incomuns.

Em fevereiro de 2025, Marcelinho Paraíba chegou a ser anunciado por dois clubes em menos de 24 horas.

Nacional de Patos e Americano-RJ divulgaram seu nome, mas os compromissos estavam relacionados a calendários diferentes, permitindo que os trabalhos fossem conciliados conforme o planejamento anunciado naquele momento.

Posteriormente, Marcelinho continuou sua caminhada na área técnica.

Em agosto daquele ano, o ge confirmou seu retorno ao Baraúnas, desta vez para comandar o clube na Segunda Divisão do Campeonato Potiguar. Era sua segunda passagem pela equipe de Mossoró.

E quase aconteceu um reencontro com o Hertha

Há outro episódio muito interessante nessa fase da vida de Marcelinho.

Em 2025, ele revelou que conversava sobre uma possível volta ao Hertha Berlin.

Mas não para jogar.

A possibilidade discutida era trabalhar nas categorias de base do clube alemão. Fato que naquele momento a negociação não se concretizou.

De Campina Grande a Berlim

A carreira de Marcelinho Paraíba não seguiu uma linha convencional.

Ele passou por muitos clubes.

Mudou de país.

Vestiu a camisa da Seleção Brasileira.

Foi campeão no Brasil.

Construiu uma relação especial com o futebol alemão.

Jogou profissionalmente até depois dos 40 anos.

E, quando finalmente chegou a hora de deixar os gramados, encontrou uma maneira diferente de continuar vivendo o futebol.

Talvez a cena que melhor represente o tamanho dessa trajetória tenha acontecido longe de casa.

Um paraibano, dentro do Estádio Olímpico de Berlim, sendo homenageado diante de aproximadamente 25 mil pessoas.

Poucos jogadores brasileiros conseguiram construir uma identificação assim tão longe do país onde nasceram.

Hoje, Marcelinho tenta escrever seus capítulos do lado de fora das quatro linhas.

Os cabelos coloridos e a camisa 10 marcaram uma época. A bola deixou seus pés, mas Marcelinho Paraíba encontrou no banco de reservas uma maneira de continuar fazendo parte do jogo.

Fontes consultadas